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Luiz Carlos Merten

24 Novembro 2006 | 12h21

Saímos bem cedo de Tessalônica ontem de manhã, porque queríamos, Suzana Schild e eu, visitar a Acrópole, em Atenas. O velhinho quase morreu subindo naquele penhasco, mas diante do Partenon fiz uma viagem pessoal O marco diante do prédio não diz que aquilo é a obra-prima da arquitetura grega e sim, que é a suprema realização da democracia como legado helênico para a humanidade. Estudei arquitetura (nove semestres!), mas a minha viagem interior, diante do Partenon, foi cinematográfica. Me lembrei dos épicos italianos por volta de 1960, dos Hércules e Macistes de Riccardo Freda e Vittorio Cottafavi. Hércules na Conquista da Atlântida, do segundo, foi um filme que marcou a minha juventude. Literalmente corri dentro do museu da Acrópole porque antecipei o vôo de Atenas para Paris. Queria passar na Reflets Médicis, a melhor livraria de cinema do mundo (pelo menos entre as que conheço), na Rue Serpente, mas ela estava fechada. Me compensei da frustração ao perceber que tinha tempo para um filme, antes de voltar ao aeroporto. Um filme em Paris, o paraísio dos cinéfilos? Qual? Estava quase entrando no Coeurs, de Alain Resnais, quando resolvi arriscar e fui ver a Lady Chatterley de Pascale Ferran. O romance do Lawrence é um dos meus cults e o filme, que virou sensação de crítica na França, não me decepcionou. Pascale dá razão a Godard, quando ele fala que toda ficção tem um quê de documentário.E a atriz, Marina Hands… Pelamor de Deus! Sylvia Kristel era mais bonita, mas também era uma barra de gelo no filme horroroso do Just Jaeckin, acho que nos anos 70 ou início dos 80. Marina é intensa, como o filme da Pascale, qe o Jean-Thomas, da Imovision, bem poderia trazer para o Brasil, se já não houver alguma Major na parada.