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Corpos elétricos, e Annabelle 2 como ‘patchwork’ de horror

Luiz Carlos Merten

18 Agosto 2017 | 00h32

Quase meia-noite. Antes que termine esse post já será amanhã – sexta, 18. Já deveria estar na cama, porque daqui a pouco já estarei indo para Guarulhos. Voo às 9 e pouco para Porto Alegre e dali sigo para Gramado, onde à noite ocorrerá a cerimônia de abertura do 45.º Festival de Cinema Brasileiro e Latino, com João, o Maestro. Gostei do filme de Mauro Lima, apesar do desfecho institucional, mas o que mais me impressiona é que estejam estreando juntos João, o Maestro e Corpo Elétrico – que é melhor. Apesar das diferenças gritantes – um personagem gay, outro hetero; a moda num filme, a música no outro; o proletariado e a burguesia -, acho que, na verdade, são obras que dialogam muito bem, primas senão gêmeas. Elias, o estilista de uma confecção do Bom Retiro e o maestro João Carlos Martins, um personagem de ficção, o outro, real, são movidos a sexo e transformam a libido em energia criativa. O filme de Marcelo Caetano é mais hard – em termos. Elias gosta de homens. Atira-se para o segurança, tem todas aquelas amigas trans. O maestro inicia-se no puteiro, é agredido – gravemente – na Bulgária na suíte de um daqueles momentos em que, como predador, está buscando a satisfação sexual. Sugiro que as pessoas vejam os dois filmes e façam a liga – que existe – entre esses dois hedonistas. Aproveitando, acrescento que um hedonismo parecido, mas transformado em energia negativa, impulsiona o Bozo, aliás Bingo, de Daniel Rezende. Gostei de quase tudo em Bingo – O Rei das Manhãs. Direção, interpretação, a estética cafona – de pornochanchada -, tudo faz sentido na recriação de uma época. Só não gostei do filme! Bingo/Bozo é o falso bom personagem. E o fato de ele se converter, virar crente não ajuda em nada nesse momento crítico que o País está vivendo. Confesso que o viés que me interessaria é o do filho do Bingo. Como sobreviveu àquela família totalmente disfuncional – o pai, a mãe, a avó? Puta filme anticlimático, credo. E o produtor, não o Gullane, na pré-estreia a que fui, ainda apresentou o Bingo como herói brasileiro. Por que dá a volta naquele gringo, aliás, parecido com o Tump? Eu, hein? Chega! Preciso dormir – vou deixar a Annabelle 2 e A Torre Negra, que já vi, para amanhã. Dark Tower não faz muito sentido, mas gostei de ver. A mitologia do western – e com outro pistoleiro negro, após o de Sete Homens e Um Destino -, o garoto. O filme mexeu em algumas cordas minhas, mas quem for pelos livros vai se decepcionar. Annabelle 2 não é bem um filme, mas um patchwork, uma colcha de retalhos, de horror. Dá para fazer uma listagem de pelo menos dez cenas emblemáticas que o diretor David F. Sandberg recria, e sem o significado que tinham nos originais. Quem quiser comprar gato por lebre, fique à vontade.