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Luiz Carlos Merten

03 Janeiro 2008 | 14h23

Saymon, de novo ele, me dá uma espinafrada legal, me chamando de ingênuo, porque citei o elogio de Arnaud Desplechin a ‘O Sexto Sentido’ para ilustrar a defesa que o diretor faz do cinema comercial. Saymon não entendeu, mas quando François Truffaut escreveu seu livro sobre Alfred Hitchcock, nos anos 60, foi para resgatar um artista genial que muitos críticos ainda teimavam em rotular simplesmente como um habilidoso diretor comercial (e isso por mais que tenham tido de elogiar os filmes do mestre do suspense, desde os anos 30). Syamalan veio acabando já há algum tempo para os norte-americanos e só os franceses – ‘Cahiers’, revista da qual Desplechin também é queridigho – continuam bancando sua carreira e sustentando que ele é grande. Não falo em elogiar o Shyamalan de ‘O Sexto Sentido’. Isto é moleza. Coragem – e muita argumentação – é preciso para defender o de ‘A Vila’, que o próprio saymon acha ruim. Espero voltar aos EUA para comprar um livro que saiu por lá – tive na mão e desisti – contando como Shyamalan apostou, e perdeu, em ‘A Dama na Água’ e como isso foi o fim para ele em Hollywood. Tomara que não – espero que o cara ressurja com ‘The Happenning’, que já é um dos filmes que eu estou mais a fim de ver em 2008. Mas a questão é a seguinte – não citei ‘O Sexto Sentido’ e sim, ‘Corpo Fechado’. Saymon talvez não se lembre, mas o filme foi tratado a pontapés quando estreou nos cinemas brasileiros. O mínimo que os admiradores de Desplechin escreveram, aqui mesmo no ‘Estado’, é que aquela oposição radical entre bem e mal, considerados como absolutos, era balela de Hollywood, com seu maniqueísmo. Continuo achando maravilhosa a análise que Desplechin faz do racismo – e dos personagens de Bruce Willis e Samuel L. Jackson – em ‘Corpo Fechado’. O próprio título, ‘Unbreakable’, inquebrável, me parece fascinante. Não havia visto o filme daquele jeito. Desplechin me iluminou e, por isso, gosto tanto de conversar com ele, sempre que me é dada a chance de fazer uma entrevista. Sobre ‘Esther Khan’, voltei à revista da NET e está lá – o filme deve ter passado ontem às 2h15 (da madrugada). A m… é que não tem mais nenhuma outra exibição prevista para este mês.