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Luiz Carlos Merten

01 Abril 2010 | 17h27

Embora tecnicamente de folga, estou na redação do ‘Estado’ fazendo meu material para a edição de domingo do ‘Telejornal’. Quero agradecer a gentileza do Eduardo Cerveira, que leu aqui no blog sobre ‘O Inimigo do Povo’, o Ibsen de Steve McQueen, e resolveu me ajudar a ver o filme, enviando cópia que conseguiu baixar da internet. Vou ver, cara. Maurício também escreve para comentar os lançamentos de maio da Lume. ‘Crash’, que não é o meu Cronenberg favorito; ‘O Marido da Cabeleireira’, um Patrice Leconte delicioso, com aquela lindeza da Anna Galiena (não esqueço quando ela esteve em São Paulo e fomos jantar no Fasano, mas eram outros tempos); e ‘O Príncipe Valente’, que Henry Hathaway adaptou de Hal Foster, com Robert Wagner no papel-título. Acho o filme bem legal, mas temo que o formato cinemascope de alguma forma se perca em widescreen.  Do pacote anunciado pelo Maurício, confesso que me interessou particularmente ‘Corações Desesperados’, que Jules Dassin realizou em 1966, baseado em Marguerite Duras. Dassin estava numa fase de prestígio em baixa junto à crítica, mas o elenco tem, além de Melina Mercori – mulher e musa do diretor -, Romy Schneider, Peter Finch e, se não me engano, um tal de Julian Mateos no papel do amante. Lembram-se da fala de Emmanuelle Riva para Eiji Okada em ‘Hiroshima, Meu Amor’ – ‘Tu me tues, tu me fais du bien’ (Você me mata, você me faz bem)? Não existe tema mais ‘durasniano’ e está no centro de ’10:30 PM Summer’, o título original. Pois bem – não guardo uma lembrança muito boa de ‘Corações Desesperados’, mas conversei outro dia longamente sobre o filme com Antônio Gonçalves Filho. Toninho sustenta que Dassin é um injustiçado e que sua fase Meliona Mercouri, execrada pela crítica, tem coisas muito boas, das quais as melhores, para ele, são o filme baseado em Duras e outra adaptação, a de ‘Promessa ao Amanhecer’, de Romain Gary, escritor que foi casado com Jean Seberg – e dirigiu a mulher em ‘Desejo Insaciável’, que tem aquele exótico título original, ‘Les Oiseaux Vont Mourir au Perou’ . No seu Dicionário de Cinema, Jean Tulard sustenta que o onirismo fantástico dos pássaros de Gary, que vão morrer no Peru, é muito interessante. Lembro-me somente da máscara que cai quando a extraordinária Jean está fazendo sexo, na praia, mas sinceramente me esqueci se o amante, ali, já é o protagonista masculino, Stephen Boyd, o Messala de William Wyler em ‘Ben-Hur’. Seria o caso de pedir à Lume que recuperasse, também, o melhor filme de Romain Gary.

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