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Conversa de amigos

Luiz Carlos Merten

02 Agosto 2010 | 15h30

Orlando acaba de descobrir Joan Bennett e está impressionado com a estrela. Joan era irmã de Constance Bennett, também atriz (e um pouco mais velha que ela, acho que uns cinco anos). As duas eram filhas de ator – Richard Bennett – e começaram no mesmo registro, como ‘ingênuas’. Constance evoluiu para um tipo de mulher sofisticada e maliciosa, revelando bom timing de comédia e antecipando Carole Lombard. Joan também fez comédia – ‘O Pai da Noiva’ e ‘O Netinho de Papai’, ambos de Vincente Minnelli, com Spencer Tracy e Elizabeth Taylor, mas foi realmente como mulher fatal que se destacou, em clássicos noir de Fritz Lang (‘Um Retrato de Mulher’, ‘Alma Perversa’ e ‘O Segredo da Porta Fechada’) e Jean Renoir (‘A Mulher Desejada’). Abel diz que ama John Ford, mas tem uma preferência especial por ‘Vinhas da Ira’, que revi outro dia, parte do filme pelo menos, na TV paga. É bom, com aquele preto e branco rigoroso e a interpretação inesquecível de Jane Darwell, que ganhou o Oscar pelo pape de Ma Joadl. Abel se equivocou ao enumerar westerns de Ford, mas eu compreendo perfeitamente porque volta e meia também me engano. Ao citar ‘Rio Grande’, que se chamou ‘Rio Bravo’ no Brasil, ele confunde com ‘Onde Começa o Inferno’, o ‘Rio Bravo’ de Hawks, que ganhou outro título porque justamente já havia o de Ford. Abel cita outros dois filmes que o impressionaram – ‘Quando Explode a Vingança’ (Giú la Testa), de Sergio Leone, com James Coburn e Rod Steiger, que integra a trilogia ‘Era Uma Vez’ e é conhecido como ‘Era Uma Vez na Revolução’. formando uma trinca com ‘Era Uma Vez no Oeste’ e ‘Era Uma vez na América’. Gosto muito do filme do Leone, mas como ‘C’Era Una Volta il West’, que foi mutilado pela distribuidora norte-americana, ‘Quando Explode a Vingança’ também teve problemas de distribuição e foi lançado em versões reduzidas de 121 e 128 minutos, até ser restaurado em 2006 e recuperar a duração total de 158 minutos. Nunca vi o filme completo. mas ele tem cenas grandiosas e a partitura de Ennio Morricone é deslumbrante, só que, de alguma forma imprensado entre ‘Era Uma Vez no Oeste’ e ‘Era Uma Vez na América’, ‘Quando Explode’ nunca foi visto como tão bom (embora seja, eu acho). Sobre Barry Levinson e ‘Quando os Jovens se Tornam Adultos’ – ele era tão bom no começo de sua carreira. Adorei ‘O Enigma da Pirâmide’, sobre o jovem Sherlock Holmes, e ‘Tin Men’ é maravilhoso, ou assim me pareceu. ‘Tin Men’ retorna à vertente de ‘Diner’, Quando os Jovens Se Tornam Adultos. Em ‘Diner’, os garotos jogam conversam conversa fora numa lanchonete de Baltimore. Em ‘Tin Men’, voltamos a Baltimore, nos anos 1960, Richard Dreyfuss e Danny De Vito são vendedores da indústria de alumínio, um meio à derriva na vida, o outro um completo derrotado. Não sei exatamente quando foi que Barry Levinson perdeu o rumo, mas não tenho dúvida de que isso ocorreu. Sobre Martin Ritt, aguarde um post especial, Marcelo.