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Luiz Carlos Merten

22 Fevereiro 2007 | 15h24

Havia acabado de postar o texto sobre Paul Verhoeven quando abri um pacote e lá estava o DVD de A Dália Negra, do De Palma, lançamento da Imagem. Tive de correr ao restaurante do jornal, antes que fechasse, mas fiquei pensando. Black Book tem tudo a ver com A Dália Negra, mesmo que o noir de Verhoeven seja mais ligado ao filme de guerra do que à violência urbana do gênero policial, no qual se inscreve o filme de Palma. As próprias heroínas oferecem curiosos contrapontos. Uma, a de Verhoeven, com seu corpo que atravessa todas as experiências, mesmo as mais degradantes, oferecendo a imagem de uma mulher que resiste a tudo. A outra, a de De Palma, sucumbindo e sendo brutalmente (e duplamente) mutilada – numa trama sórdida de vingança e pelo próprio diretor que investiga cerebralmente o cinema de gênero. Compreendo a fascinação das pessoas pelo cinema de De Palma, mas eu confesso que sou mais Verhoeven. Gosto dos excessos dele, a sua escatologia me parece forte e provocadora e, de Louca Paixão a Instinto Selvagem e agora Black Book, acho que o Jean Tulard acerta, no dicionátrio dele, quando diz que Verhoeven ultrapassa o thriller no rumo da criação de uma nova tragédia grega.

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