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Cultura » Contradição?

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Luiz Carlos Merten

28 Dezembro 2007 | 11h44

Peguei o comentário do Celdani no post sobre ‘Luzes da Cidade’ e não creio que exista contradição – acho que o olhar dela manifesta decepção e isso não impede que, eventualmente, como pensam alguns, a garota possa ter ficado com Carlitos. Não seria esta, justamente, a riqueza e complexidade do olhar de Chaplin? Pode ser uma idéia romântica, mas a literatura e o cinema estão cheios de histórias de gente que ama e se decepciona e não deixa de amar. Não é a mesma coisa, eu sei, mas existe final mais lindo do que o de ‘Clamor do Sexo’, do Kazan? Natalie Wood sofreu o Diabo por amor a Warren Beatty. Chegou a ser internada por causa deste amor proibido porque ele era rico e ela era a moça da banda pobre da cidade. No final, após o crack da Bolsa, ele empobreceu, casou-se com outra e ela olha aquele homem pelo qual, literalmente, foi louca. O que acontece? Nada. O momento passou e, como dizem Kazan e seu roteirista, William Inge, na epígrafe retirada de um poema de Woodsworth – ‘Embora nada possa devolver os momentos do esplendor na relva (Splendor in the Grass, o título original), não sofreremos. Ao contrário, encontraremos forças no que ficou atrás.’ Deus, que aquilo é lindo. Um final, essencialmente infeliz, mas maduro (e muito real). Tão belo assim só o ‘Desejo e Reparação’ que Joe wright adaptou de ‘Atonement’, de Ian McEwan, mas já estou misturando demais as coisas. Vamos deixar Joe Wright e seu desfecho maravilhoso, aqueles cinco minutos geniais com Vanessa Redgrave, para depois.

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