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Contra os malas e em defesa do cinema nacional

Luiz Carlos Merten

04 Outubro 2007 | 14h02

RIO – Entendo a indignação do Pedro Malasarte diante do comentário de Jones Robson. Não tive nem paciência de ler, mas, por princípio, se não contém palavrões nem ofensas pessoas, minha tendência é não censurar. Acho que, desde que existe este blog, censurei só um post que era muito depreciativo de uma pessoa a quem conheço bastante, mesmo que não possa me considerar íntimo dela. Foi só. Mas que o Jones devia se tocar e não ficar alugando, pelamor de Deus! Quero comentar também o comentário do Júnior, que me cobra por estar dedicando espaço só ao cinema nacional, que ele diz que é zero no panorama mundial. Não é verdade, Júnior, e também não adianta dizer que tu só vais mudar de opinião quando o cinema brasileiro fizer um Meu Ódio Será Sua Herança. Cara! Mas se nem Hollywood faz mais um filme como aquela obra-prima do Peckinpah…. Enfim, tenho falado bastante de cinema brasileiro, 1) porque é necessário e importante; e 2) porque a Première Brasil é a maior vitrine do cinema nacional. É lógico que eu quero falar logo sobre os filmes a que estou assistindo no Festival do Rio. Às vezes, também ocorre o seguinte – não quero esvaziar as matérias que estou fazendo diariamente para o Caderno 2. Na edição de hoje do Estadão, falo de dois filmes estrangeiros. Fui ver As Sombras de Goya, de Milos Forman, na terça-feira à noite e, na seqüência, à meia-noite, vi Lust, Caution, o que foi um erro, porque o filme de Ang Lee tem 2h37 min de duração. A sessão foi até 3 horas. estava cansado. Resisti bravamente (e gostei), mas não creio que estivesse 100% para avaliar um filme tão importante. Mas achei uma coisa curiosa. Havia visto o filme do Forman, que me impressionou muito – acho que As Sombras de Goya e O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford foram as obras que mais me chaparam no Festival do Rio -, e fiquei impressionado com a visão do diretor sobre a ambivalência radical do ser humor. O filme me proporcionou um tobogã de emoções, de tal maneira os personagens e as cenas vão mudando, de maneira vertiginosa. Saí do Milos Forman, comi alguma coisa rapidinha e caí no Ang Lee, que tem um assassinato brutal e duas cenas de sexo fortíssimas, mas, na verdade, usa o desejo para falar de paixão e morte e para traçar outro retrato radical da ambivalência humana. No fim do segundo, eu parecia uma alma penada. Espero que esses filmes (e outros, que vi aqui) estejam na Mostra de São Paulo para poder retomar o assunto. Aliás, volto amanhã para São Paulo e, no sábado, a Mostra já faz a coletiva de lançamento da edição deste ano. Lá estarei, louco para garimpar as pérolas a que será possível assistir em Sampa.