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Contra a cultura do ódio, os clássicos

Luiz Carlos Merten

29 Agosto 2017 | 09h26

PORTO ALEGRE – Volto daqui a pouco para São Paulo. Gramado, este ano, esteve atípica para o inverno. O que fazer com todas aquelas camisas de manga comprida e blusas de lã? Porto Alegre está ainda pior. Calor, abafamento. O Sul, por esses dias, está nos fornecendo aulas práticas sobre o tal desequilíbrio ambiental. Vejo na capa de Zero Hora – deve estar em toda a imprensa brasileira e até internacional – que Temer recuou e refez o decreto sobre reserva da Amazônia.Os protestos de Gisele Bündchen, a fala de Paulo Vilhena cobrando atitude deram resultado. Mas não pensem que é um happy ending integral. O governo mantém a extinção da reserva, mas promete esclarecer as regras para a exploração mineral. Ou seja, a luta continua. Nos dois dias – duas noites – em Porto – não vi nada novo. Fiz minha estreia na Cinemateca Capitólio – linda!, e aquele vermelhão me evocou uma de minhas salas preferidas no mundo, a Filmoteca do Quartier Latin – e emendei com uma ida à Sala Redenção. Revi clássicos. A Cinemateca homenageia George A. Romero e exibe – nesta terça tem de novo – um dos filmes preferidos do diretor. Depois do Vendaval, de John Ford. Innesfree! John Wayne! Maureen O’Hara! Na Redenção, o ciclo é Escutando Filmes, sobre trilhas. Revi Cortina Rasgada, e meio que tomei um choque. Olhava Julie Andrews na tela e via Tippi Hedren. O cabelo curto, embora não coque, os mantôs. Mesmo não sendo um grande (Alfred) Hitchcock, tive um prazer imenso em rever certas cenas. Julie e Paul Newman na cama, a cena do teatro, o ônibus e o brutal assassinato de Gromek no forno. Alemanha, forno. Qualquer referência ao extermínio de judeus por (Adolf) Hitler não é mera coincidência. A Sala Redenção faz 30 anos. Aproveitei e peguei o JU, Jornal da Universidade (UFRGS). Entre outros, na rubrica Ideias há um artigo de André Marenco, titular do Departamento de Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas. O que ele diz não é novo – Todas as Coalizões do Presidente -, nem a advertência final sobre uma ditadura das togas. É relevante, de qualquer maneira. No seu livro sobre a Lava-Jato, Paulo Moreira Leite já reflete – como uma operação necessária de combate à corrupção virou um risco para a democracia. Li a entrevista do (Deltan) Dallagnol em Zero Hora – não sei se outros jornais publicaram – e confesso que acho esquisito aquele pé na religião, esse negócio de seguidor de Jesus transformado em bandeira, num momento de retrocesso. E mais não falo. Meu amigo Dib Carneiro postou sei lá o quê sobre o juiz Moro e recebeu uma enxurrada de desaforos. Chocou-o, e esse ele me mostrou, o comentário com a imagem de uma velhinha doce, o neto e ela, dois amores, e a vovó, como uma metralhadora, descarregou mais desaforos sobre ele que a pior das putas de esquina. Petista – é sempre o primeiro desaforo -, limpa essa boca para falar do Dr. Moro, fdp, vai chupar…, tua mãe é rampeira, etc. Essa era a parte light. O restante só ia piorando. Uma velhinha com cara de anjo. Delinquente absoluta, a vaca velha, e babando de ódio. Essa radicalização galopante é o ó. Ficou difícil viver nesse País do jeito que está.