Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Como Festejei…

Cultura

Luiz Carlos Merten

17 Junho 2008 | 10h58

‘Como Festejei o Fim do Mundo’ foi um dos 20 e tantos filmes que integraram a seleção competitiva da mostra Caméra d’Or de 2006, naquele ano em que integrei o júri presidido pelos irmãos Dardenne. Já disse mil vezes que fui voto vencido, e que preferiria ver ‘Honor de Cavalleria’, ‘Hamaca Paraguaya’ ou ‘El Violín’ receberem o prêmio de melhor filme de diretor estreante em Cannes. Não gostei particularmemnte de ‘A Leste de Bucareste’, mesmo reconhecendo que o filme é interessante. No final, a premiação de ‘A Leste de Bucareste’ terminou sendo uma etapa importante no reconhecimento progressivo do novo cinema romeno em Cannes. Em 2005, houve o prêmio da crítica para “A Morte do Senhor Lazarescu’, no ano seguinte a Caméra d’Or para ‘Bucareste’ e em 2007 a Palma de Ouro para ‘4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias’. Confesso, mesmo sob risco de receber pedradas, que havia achado mais simpático o filme de Catalin Mitulescu, que revi ontem. O tema de ambos é a queda da ditadura de Ceasescu, mas vista de diferentes ângulos. Em ‘Bucareste’, Corneliu Porumboiu discute, via um programa de TV, se o ditador foi derrubado por um movimento popular ou se ele já havia abandonado o poder, quando a multidão se reuniu na praça central. Em ‘Como Festejei’, o olhar é da criança. Quando sua irmã e o namorado quebram o busto de Ceasescu – ela é enviada para reformatório e tenta fugir; a família vira suspeita aos olhos da máquina repressora do Estasdo -, o menino planeja um atentado. Havia achado o filme caloroso, envolvente, e o menino cativante, numa tradição que remonta ao cinema da infância de François Truffaut. Nem havia cogitado o filme de Mitulescu para a Caméra d’Or e continuo achando que o prêmio teria sido melhor atribuído aos latinos da competição. Mas ontem fui rever ‘Como Festejei o Fim do Mundo’ e, após o desagrado que me produziu ‘Lírios d’Água’, confesso que lavei a alma e coloquei um pouco de ordem no meu mundo. Mesmo assim, acho que vou ter de ‘tri’-ver ‘Como Festejei o Fim do Mundo’. Ontem, gostei por comparação. Não creio que ‘Lírios’ nem o ‘Como Festejei’ sejam ingênuos. São até espertos, mas a engenhosidade do garoto, tentando subverter a ditadura, me encanta mais do que aquelas ‘maluquinhas’ – perdão, se parecer preconceito – na piscina.

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Encontrou algum erro? Entre em contato