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Cultura » Como era gostoso o meu Riccardo Freda

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Luiz Carlos Merten

10 Maio 2010 | 19h06

PARIS – Está cada vez mais difícil comprar ‘Cahiers du Cinéma’ nas bancas, no Brasil. Insisto em comprar porque coleciono a revista desde os anos 1980, independentemente de lê-la (ou não). Agora, ‘Positif’, com quem às vezes tenho mais afinidade, é impossível de comprar no País. Faço a festa comprando números antigos e recentes, quando estou na França. Estou em êxtase. ‘Positif’ tem uma seção que se chama ‘Cinéma Retrouvé’, Cinema Reencontrado. A edição de abril ‘reencontra’ Michael Powell e Karel Reisz, o que, para mim, é OK, mas não entusiasma muito. Prefiro dizer que a revista reencontra também o meu Mauro Bolognini favorito, o de ‘La Viaccia’, Caminho Amargo, com Claudia Cardinale, Jean-Paul Belmondo e Pietro Germi, e eu confesso que tive um prazer enorme em ler, o que fiz correndo, o texto de Jean A. Gili. Na edição de maio, não propriamente em Cinema Retrouvé, mas na seleção de DVDs de ‘Positif’, Jean-Loup Bouget recupera dois autores fundamentais no meu imaginário, Riccardo Freda e Mario Bava. Nenhum deles por suas fantasias mitológicas. Freda, por seus ‘Vampiros’, de 1956, que Bava, diretor de fotografia, concluiu depois que o primeiro teve problemas e abandonou a produção, e Bava, assinando, por ‘I Coltelli Del Vendicatore’ e ‘Ecologia Del Delitto’, de 1966 e 71. ‘As Facas do Vingador’, com Cameron Mitchell – que Bouguet define como ‘Kirk Douglas dos pobres’ -, remete, pelo menos no título, a outro filme de Freda que lhe foi contemporâneo, ‘As Sete Espadas do Vingador’, com Brett Halsey. Este, na minha lembrança, é deslumbrante. Ah, o cinema popular italiano… Era melhor que muito Fellini, quando ele passou a se repetir, com certa condescendência da crítica.

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