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Luiz Carlos Merten

22 Outubro 2007 | 08h54

Carlos Pereira me cobra de não haver falado sobre Vanessa Redgrave e ter centrado fogo na Keira Knightley no post sobre ‘Desejo e Reparação’. Mas eu falo muito na Vanessa na matéria de hoje do ‘Caderno 2’ e digo o que senti – que ela tem cinco minutos de antologia que valeriam todos os prêmios do mundo. E, aliás, o que termina dando sentido ao filme é a participação da Vanessa. Tudo converge para o momento em que ela aparece, do nada, e pede para interromper a gravação. Não quero polemizar agora sobre o filme do Joe Wright. Vamos aguardar pela estréia, mas o que diz o Saymon sobre a complexidade do livro de Ian McEwan, que poderia ter sido edulcorada, é uma conversa antiga sobre as relações entre cinema e literatura, sempre que o livro é muito bom. Ninguém se importa com o que o Hitchcock fez com o pulp de Robert Bloch em ‘Psicose’ – melhorou, com certeza -, mas Visconti teve de se explicar, e muito, por haver ‘traído’ Camus, acusação que lhe fez a viúva do escritor, a propósito de ‘O Estrangeiro’, que o grande diretor não considerava um de seus menores filmes (e não é mesmo). Orson Welles foi apedrejado por sua visão de Kafka em ‘O Processo’, mas seu expressionismo assumido expressa na tela o absurdo da existência, segundo o escritor tcheco. Nisso tudo, só fiquei curioso de saber uma coisa – como assim a Warner não vai mais lançar ‘Valente’, do Neil Jordan, com a Jodie Foster? Vai diretamente para o DVD? Vou morrer sem entender essa gente, os distribuidores e exibidores.