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Como assim, rebentou o filme?

Luiz Carlos Merten

20 Novembro 2011 | 22h22

Nem eu acredito. Tentei ver ontem  ‘Amanhecer’ e se passou o seguinte. Queria ver o filmer com uma plateia popular, a do PlayArte Marabá, nol Centrão. Deve significar algumna coisa – alô-alô, Dona Elda -, mas só havia lugares nas sessões dubladas. As legendadas estavam lotadas. Quem foi que disse que a nova onda de filmes dublados é reflexo dsa chjegada das classes C e D ao consumo? Fui ver o filme às 4 da tarde e me planejei para sair do Marabá e atravessar o Viaduto do Chá ou o Anhangabaú para pegar, no CCBB. na retrospectiva de Nicholas Ray, ’55 Dias em Pequim’. Assisti a uma hora de ‘Amanhecer’ e , até aí, tudo bem. De repente, a tela ficou toda escura. Passou-se um bom tempo antes que aparecesse alguém avisando que o filme havia rebentado e ia recomeçar em dois minutos. Com,o assim, rebentou o filme? Acho que não via nada parecido desde as matinées da minha infãncia, no antigo cine Rival, em Porto Alegre. Os dois minutos viraram uns 20, a sessão recomeçou e… O filme rebentou de novo. Mais 20 minutos de luz ligada, a plateia quase depredando a sala e volta o funcionário para avisar que a gente podia ver o filme na sala 1, a maior do conjunto, que a sessão já ia começar. Eu, otário, desci – estava na sala 5, em cima – e esperei mais um 15 minutos e nada de a sessão inicioar. A essa altura, já havia perdido meu Nicholas Ray. De saco cheio, peguei meu ingresso para tentar ver o filme de Bill Condon outro dia. Bill Condon! Não sabia que era o diretor. Confesso que, ao ler seu nome na tela, me animei. Embora Jean Tulard o ignore no ‘Dicionário de Cinema’, Bill (William) Condon ganhou o Oscar de roteiro por ‘Deuses e Monstros, que realizou,’ e foi indicado na mesma categoria por ‘Chicago’, o musical de Rob Marshall. ‘Deuses e Monstros’ era sobre a ligação do diretor James Whale com o bofe seu jardineiro. Whale, gay de carteirinha, criou obras-primas de grande beleza trabalhando basicamente com o que há de sinistro no humano, no gênero ‘horror’. Na cena em que Edward conta para Bella suas primeiras caçadas, como vampiro, ele estás no cinema assistindo a um clássico de James Whale, ‘A Noiva de Frankenstein’, com Elsa Lanchester. Comecei a achar aquilo muito interessante e, como pai, cheguei a ficar tocado quando parte da cena de casamento é vista pelos olhos do pai de Bella. Vi, recentemente, não me lembro qual filme em que o pai manifesta sua preocupação pelo ‘estranho’ ( o futuro genro) que vai lhe roubar a filha. Bill Condon prescinde dos diálogos e manifesta a mesma preocupação somente pelos olhos do ator. Estava embalando no filme quando meu cordão umbilical rompeu-se, por aqueles problemas ‘técnicos’. Que m…, não? Mas vou insistir para ver ‘Amanhecer’, a primeira parte, inteira. A gente se fala, depois. E, ah, sim, que bobagem rejeitar o filme como produto da ‘indústria cultural’. O que nmão é prodiuto dessa indústria? ‘A Árvore da Vida’, que gsanhou a Palma de Ouro em Cannes? Com Brad Pitt? Ou ‘O Garoto da Bicicleta’, o melhor filme recente dos irmãos Dardenne? Nãop ´[e com uma estrela, Cécile de France? Quem foi que disse que até o filme de arte não ocupa um nicho do mercado? Haja saco com esse purismo de araque.