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Luiz Carlos Merten

30 Agosto 2010 | 15h26

Acho bem interessantes os comentários de vocês, e oportunos. Meu amigo Sérgio Leeman – de volta ao Brasil ou ainda na França? – pegou carona no post sobre as mulheres de Delmer Daves para lembrar uma das características marcantes do estilo do cineasta, a predileção por movimentos de grua. Não me lembro de outro diretor que os tenha utilizado tanto, embora pudesse citar as gruas de um mesmo fotógrafo, James Wong Howe, em filmes de autores diferentes, mas que tinham em comum a mesma vontade de falar sobre a ‘América’ interiorana – ‘Férias de Amor’ (Picnic), de Joshua Logan, e ‘Esta Mulher É Proibida’, de Sydney Pollack. Em ambos o grande Wong Howe trepou na grua para mostrar Kim Novak no primeiro e Natalie Wood no segundo abandonando as cidadezinhas sufocantes.  O grande diferencial de Delmer Daves era sempre a própria paisagem, que os movimentos de grua descortinavam. Lembro-me do majestoso Wyoming de ‘Os Nove Irmãos’ (Spencer’s Mountain, com Henry Fonda), que deu origem à série ‘Os Waltons’, embora pudesse aplicar o mesmo raciocínio à Roma turística de ‘Candelabro Italiano’ – e eu sei que agora tem gente que vai começar a cantarolar ‘Ali di là’. Da mesma forma, no post sobre Preminger – ‘O Incerto Amanhã’ -, Régis lembrou a preferência do cineasta pelo plano-sequência. Preminger foi dos primeiros a incorporar o plano-sequência ao seu estilo, justamente por acreditar que a câmera é um ‘médium’ realista e que o décor deve ser filmado da maneira mais verdadeira possível. Essa vontade de ficar mais próximo do real o levou a eleger o plano-sequência como perdra de toque da sua mise-en-scène. Sobre ela, lembro-me, não é uma citação exata, que ele declarou certa vez que se trata de uma ferramenta para contar a história, mas é importante, justamente para servir à história, que tenha um caráter de criação. Preminger chegou a dizer certa vez que a mise-en-scène, de tão importante, às vezes pode chegar a ser mais importante do que a história, mas o preferível é que esteja atrelada a ela. Continuem comentando. É ótimo.