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Luiz Carlos Merten

28 Setembro 2007 | 11h08

RIO – Dei uma geral nos comentários. Vamos por partes, como diria o esquartejador. A gangue Becker está tendo chiliques porque troquei o Wolfgang Becker pelo Peterson no texto sobre Bem-Vindo a São Paulo. Jura? Mas eu devia estar muito doido. Adoro o Becker e não gosto nem um pouco do Peterson – apesar do Clint em na Linha de Fogo – e, mesmo assim, troquei os dois? Vocês sabem que esses atos falhos ocorrem e, como já expliquei, não tenho paciência de ficar relendo o que escrevo. Se a gangue se irrita tanto acho que a solução para eles talvez seja procurar outro blog. quem sabe? Sobre O Ano no Oscar, Marcos me lembra que Bráulio Mantovani também foi indicado pelo roteiro de Cidade de Deus. Pois é, sabia que o filme tinha sido indicado para quatro Oscars, mas só me vieram três – direção, fotografia e montagem (Daniel Rezende ganhou o Bafta, o Oscar inglês, e isso eu nunca esqueço). Sorry, Bráulio. O roteiro de Cidade de Deus foi um p… trabalho e eu recomendo que vocês leiam o livro Cinco Mais Cinco. Entrevistei todo mundo de Cidade de Deus – menos a Kátia Lund, que estava na Espanha e eu deixei mil e um recados, mas nunca obtive retorno – para traçar a trajetória do filme, da idéia à tela, e Daniel me disse coisas muito legais. Ainda no Oscar, só pode ser gozação de Andrômeda (quem é?) dizer que era contra Cidade de Deus no Oscar porque mostrava negro, pobre e violência no morro, quando o País tem tanta coisa bonita para mostrar ao mundo. O quê, por exemplo, Andrômeda? As praias? Lindas, não, mas o que tem de prostituição, inclusive infantil, nesses botecos de beira de praia não é fácil, não. O Brasil tem coisas belas, sim. Deslumbrantes. O problema é que cartão postal não rende dramaturgia e o drama, quase sempre, vem da miséria – ou de seu oposto, a graça – humana. Só que filmar a graça é mais difícil. É preciso um Robert Bresson. Filmar o cotidiano simples, em que nada ocorre, também não é fácil. Exige um Yasujiro Ozu, capaz de descobrir e, o que é mais importante, revelar o encanto da rotina. Quanto ao Wellington, tu também tá de gozação, cara! Na entrevista que fiz com Wagner Moura para a capa de ontem do Caderno 2, até fiz a pergunta que se refere justamente a isso. Wellington gostou tanto de Estômago que sugeriu que alguém coloque o DVD do filme na mão de um desses camelôs, para ver se ele estoura na pirataria. É o que muita gente acha que José Padilha e seus produtores fizeram para ‘fabricar’ a polêmica sobre Tropa de Elite. Wagner ficou indignado. Acha que é preciso uma mente muito torta para ficar pensando isso do Padilha, como é preciso um olhar torto para achar o Capitão Nascimento um herói. Aliás, me disseram que alguém (quem?) fez a crítica de Tropa de Elite na Folha e lascou que o filme glamouriza a violência. Entendo que não se goste de Tropa de Elite. Eu mesmo tenho um sentimento ambivalente em relação ao filme, mas glamourizar? Taí um adjetivo bem infeliz. O filme pode ser tudo o que dizem – não é, mas esta é outra história -, agora dizer que glamouriza a violência…