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Luiz Carlos Merten

23 Outubro 2010 | 10h52

E a Mostra decolou ontem sem que eu conseguisse acrescentar um só post. Pela manhã, tinha matérias para redigir, à tarde fui ver ‘Beyond’ na cabine da própria Mostra, porque tinha imensa curiosidade pelo filme de Pernilla August. Elaine Guerini me havia falçado do sucesso do filme na seção Semana da Crítica de Veneza e eu fui conferir. George Lucas precisava de uma atriz muito forte para fazer o papel da mãe de Annakin Skywalker em ‘Star Wars IV’. Porque vai ser a perda da mãe e, mais tarde, o ele pensa ser a traição de Padmé Amidela que o levarão a se render aop lado escuro da Força, virando Darth Vader. A psicanálise percorre a saga estelar de Lucas e, mais tarde, no fecho de ‘O Retorno do Jedi’, Luke Skywalker vai ter de matar (liberando-o) o próprio pai. Édipo revisitado, a (re)construção do mito. Enfim, embora o papel fosse pequeno, a atriz tinha de ser grande e Lucas escolheu Pernilla. Seu sorriso triste é inesquecivel, para mim, pelo menos. Para sua estreia na direção, Pernilla escolheu contar uma história de família, de abuso, alcoolismo e violência doméstica. O plano final é um dos mais belos da Mostra, podem crer. Depois de assistir a ‘Beyond’, fiz entrevistas (ótimas) com Andrucha Waddingrton e Ricardo Trêpa, voltando ao jornal para redigir meu material de domingo. Ainda fui brindado com a crítica de meu editor, Dib Carneiro Neto – Ubiratan Brasil, que edita o domingo, estava ontwem em Nova York vendo ‘Mamma Mia’ -, com a observalção de que fui o lanterninha da edição. Havia um monte de filmes para ver ontem, primeiro dia da Mostra. Não eram os que mais me interessavam. Não tenho muita paciência com ‘Tournée’, com aquele personagem, do próprio diretor Mathieu Amalric, que parece um dos maridos de John Cassavetes num filme de Fellini. Amalric busca a epifania pela via do grotesco, isso é o que estão dizendo desde Cannes, mas eu confesso que, pessoalmente, fico só no grotesco, sem chegar a epifania nenhuma. Minha epifania eu a alcancei, e foi surpresa até para mim, com Robert Rodriguez, em ‘Machete’. Estou indo daqui a pouco para Sorocaba. Espero voltar para ver ‘Mistérios de Lisboa’, o longa – longuíssimo! – de Raul Ruiz que Ubiratan Brasil e Luiz Zanin Oricchio antecipam como um dos grandes filmes desta Mostra.