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Luiz Carlos Merten

11 Fevereiro 2010 | 13h22

BERLIM – E a maratona começou. Primeiro, foi a coletiva do júri, em que o presidente Werner Herzog foi o astro, mas as atrizes Renee Zellweger e Ya Nan tamnbém foram muito solicitadas pela imprensa mundial, bem como o escritor somali Nuruddian Farah. Herzog lembrou a primeira vez que pisou na Berlkinale, há 42 anos. Eram um diretor principiante, cheio de expectativa, e saiu de Berlim com um Urso de Prata (por ‘Sinais de Vida’). Ele destacou a importância dos festivais, e não apenas Berlim, como vitrines não apenas de novos talentos, mas de cinematografias inteiras. Há pouco ele esteve no Peru e sentiu o reconhecimento pelo Urso de Ouro que Claudia Llosa recebeu no ano passado, por ‘La Teta Asustada’. Claudia agora está no Oscar e tudo começou aqui, na Berlinale. Ele anunciou que seu júri não tem parti-pris em relação a nada. O cinema é como a grande poesia. Tem uma certa dose de mistério. Não é possível antecipar como seu júri vai decidir, o que vai escolher. O importante é estar aberto. Uma jornalista brasileira (da concorrência, a ‘Folha’, mais exatamente) evocou ‘Avatar’ e quis saber por que os grandes festivais são reticentes ao novo? Berlim é mais do que Cannes, que condsolidou as novas tecnologias (o digital) com a Palma de Ouro atribuída a ‘Dançando no Escuro’, de Lars Von Trier, como já celerbrara o vídeo em ‘sexo, mentiras e videotape’, de Steven Soderbergh, respectyivamente em 2000 e 1989. Cannes, no ano passado, inaugurou a competição com ‘Up’, em 3-D. Enfim, foi legal ver Herzog falando de novas tecnologias. Como qualquer pessoa sensata, ele diz que elas – e os efeitos – não devem falar por si mesmos, mas em função da história – da ‘dramaturgia’. E ‘Avatar’? Apesar de alguns defeitos, que chamou de ‘déficits narrativos’, ele gosta muito do filme de James Cameron – que, a propósito, superou no fim de semana a marca de R$ 2 bilhões arrecados e já é o maior sucesso de todos os tempos. Cameron, agora, tem o primeiro e o segundo filmes da lista a seu crédito. Fodão, não? O filme de abertura, ‘Apart Together’, de Wang Quan’an, tem muito a ver com o anterior do cineasta, ‘O Casamento de Tuya’, que lhe deu o Urso há três anos. O conflito entre tradição e modernidade, uma mulher dividida entre dois homens. ‘Apart Together’ foi recebido friamente. Nem foi aplaudido. Não é filme para levantar plateias, mas quando a gente pensa nele, tem tudo a ver com esse festival. E é bom . Falo mais tarde. Agora, a sala de imprensa está sendo evacuada, por razões de segurança. Vou sair antes de começar a brigar, como no ano passado.

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