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Cultura » Com Stone, nas ruínas do WTC

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Luiz Carlos Merten

27 Setembro 2006 | 11h33

O sol voltou a aparecer aqui no Rio, depois de vários dias de chuva e frio (relativo). Terminei vítima do mau tempo. Há uma cultura do ar condicionado que faz com que ele tenha de ser ligado, no limite do gelo, em táxis e cinemas, quando na verdade a temperatura não está pedindo nada disso. Peguei uma dor de garganta e o pior é que foi assistindo ao filme do Oliver Stone, As Torres Gêmeas, que estréia sexta. Vamos voltar ao WTC. Stone fez um filme que impressiona do ponto de vista técnico. As imagens do desabamento das torres colocam o espectador lá dentro, como se o mundo estivesse desabando sobre a sua cabeça. A narrativa centraliza-se em dois bombeiros, os sobreviventes da trama. Stone fala da maldade humana, da corrente de solidariedade. O problema é que ele foi fuzileiro e não consegue deixar de pensar com aquela cabeça. Tem um personagem, o fuzileiro que diz que a pátria está chamando e vai lá procurar sobreviventes sob toneladas de concreto e ferro retorcido. No final, bem Stone, ele diz que vai se alistar de novo porque a América necessita dele. Entra o letreiro que diz que o cara foi duas vezes ao Iraque nestes cinco anos. E pensar que fiquei com dor de garganta por causa dessa patriotada do Stone. Foi praga. Antes tivesse me poupado.

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