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Com a palavra, Dolores Jane Umbridge

Luiz Carlos Merten

14 Julho 2009 | 18h40

(Aqui está parte da entrevista que fiz com Imelda Staunton e que troquei na edição de amanhã do ‘Caderno 2’, para incluir o outro texto sobre a versão 3D que vi na Sala Imax do Bourbon.)
Festival de Cannes, em maio. Imelda Staunton dá entrevistas por sua participação em ‘Taking Woodstock’, longa de Ang Lee que integrou a competição pela Palma de Ouro. Imelda faz a mãe autoritária do garoto que vai se encontrar (e sair do armário)durante o evento de música. A família passa por dificuldades. A mãe escondeu do marido e do filho que juntou economias a vida inteira. É uma personagem que a própria atriz define como ‘miserabilista’. Mas, em maio, face à próxima estreia de ‘Harry Potter e o Enigma do Príncipe’, Imelda é solicitada a falar sobre a grande inquisidora de Hogwarts, Dolores Jane Umbridge, mesmo que sua personagem não apareça aqui.
– A que você atribui o sucesso da série ‘Harry Potter’?
Em geral, são garotos que me fazem essa pergunta, mas eles buscam respostas que eles próprios têm melhores condições que eu para fornecer. Acho que tem a ver com nossa necessidade de narrativa. É uma coisa geracional. Na minha infância e juventude, lia outras coisas. Alguns daqueles livros permanecem, mas tenho a impressão que toda geração quer se reconhecer em alguma coisa.
– O público de Harry Potter cresceu com o personagem…
Está vendo como você sabe a resposta? O jovem, hoje em dia, sabe mais e está mais aparelhado do que na nossa época. Mas qualquer pessoa sensata vai dizer que, embora tenha mais mais ferramentas, ele sabe menos. Cada um é solicitado, cada vez mais, a tratar de si. Harry trata de escolhas morais e, embora seja a história de um escolhido, mostra que ele está inserido no coletivo, que necessita dos amigos. E Harry tem essa vulnerabilidade de saber que sua mãe se sacrificou por ele.
– É diferente da sua personagem em Taking Woodstock. Foi divertido fazer essa mãe?
Está louco? É a personagem mais depressiva e miserabilista que já fiz. O público pode rir dela, mas eu queria chorar.
– Você trabalhou com Mike Leigh e Ang Lee. E o diretor de ‘Harry Potter’, David Yates?
É uma espécie de gênio. David entendeu o que há de sombrio no texto de J.K. Rowling para construir uma tragédia. Não são os gregos ancestrais. É tragédia contemporânea, filtrada pela fantasia, mas com a mesma origem no núcleo familiar.