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Luiz Carlos Merten

06 Maio 2010 | 18h40

LONDRES – Cá estou na capital inglesa, desde ontem. Cheguei à tarde, morto de cansado, mas encarei uma sessão duplsa para ver dois filmes estrelados pela heroína de ‘O Príncipe da Pérsia’. Como ia entrevistar hoje – onde a one – a bela Gemma Arterton, resolvi fazer minha lição de casa. Mesmo que ainda não tenham visto a fantasia de Mike Newell com Jake Gyllenhaal – cortesia de Jerry Bruckheimer -, vocês a conhecem. Gemma foi bondgirl em ‘Quantum of Solace’ e teve um papel em ‘Rock’en’rolla. Ela está em cartaz em Londres com dois filmes. Um deles é ‘Fúria de Titãs’, de Louis Leterrier, e o outro ‘The Disappearence of Alice Creed’, de J. Blakeson. Achei o primeiro bem ruinzinho, embora por momentos tenha de confessar que viajei na mitologia, naquele Zeus que, rejeitado pelo filho, Perseu (Sam Worthington), resolve, mesmo assim, ajudá-lo, fazendo retroceder o tempo – que é justamente o que busca o invejoso Ben Kingsley de ‘O Príncipe da Pérsia – As Areias do Tempo’. Havia comprado a edição de abril de ‘Cahiers du Cinéma’ no aeroporto de Paris, onde fiz a conexão, e descobri que, aproveitando a entrada em cartaz do novo ‘Clash of the Titans’, está sendo lançado na França o antigo, com efeitos do mestre Ray Harryhausen. Não me lembro se vi o original, o que é quase certo que não tenha ocorrido, porque dificilmente teria me esquecido tão completamente, eu que adorava as fantasias mitológicas de Vittorio Cottafavi e coloco num panteão particular o maravilhoso ‘Filhos do Trovão’, de Duccio Tessari, com Giuliano Gemma (e muitos de vocês compartilham meu amor por este belo filme). Em geral, os filmes cults lançados em DVD na França, principalmente os que saem pela distribuidora Carlota, também são lançados nos cinemas e eu vou olhar o ‘Pariscope’ de cabo a rabo atrás do velho ‘Titãs’. O outro filme com Gemma é bem melhor e ela foi a primeira a recohnhecder isso, mesmo que não tenha propriamente esculachado o Leterrier (mas ele merecia). ‘Alice Creed’ é sobre essa garota que é sequestrada por dois caras em busca de resgate, mas ela não se adapta ao papel de vítima e assume o controle da situação, manipulando os dois. Depois do programa duplo, voltei ao hotel e ainda assisti a ‘Inferno Vermelho’, o thriller de Walter Hill com Arnold Schwarzenegger e James Belushi, que passava na TV aberta. Como outros filmes de Walter Hill – onde ele anda? -, ‘Inferno Vermelho’ se inscreve na categoria que eu chamo de ‘bad movies we love (ou I love)’. A história é puro clichês, mas a direção de cena é tão vigorosa que tenho o maior prazer em assistir ao filme, o que já devo ter feito umas cem vezes (exagero, claro) na TV paga. Hoje pela manhã, iniciei a rodada de entrevistas, que prosseguiu pela tarde. Gemma, Jake, Sir Ben, Mike Newell, o autor do videogame, Jordan Melcher. O poderoso Jerry Bruckheimer ficou para amanhã. Já havia entrevistado Ben Kingsley no Festival de Berlim, por ‘A Ilha do Medo’, e falamos sobre o que há de comum – porque há – entre o falso vilão, o médico cheio de compaixão do filme de Martin Scorsese, e o irmão do califa, corroído pela ambição e pelo ciúme, em ‘Príncipe da Pérsia’. Ben me disse que vai produzir uma versão de ‘O Primo Basílio’ que será interpretada pela mulher dele. Falei-lhe da recente versão de Daniel Filho no Brasil e ele ficou muito curioso. Vou ter de enviar um DVD para o cara. A entrevista com Janke Gyllenhaal foi supreendente. O cara é um homem de família. Falou mais do pai cineasta (Stephen) e da irmã atriz (Maggie) do que do filme. Disse que adora cozinhar, mas faz parte da rotina de preparar os pratos ir ao mercado e selecionar os ingredientes. Ele tem um cachorro que o acompanha nos palcos de teatro e nos sets de filmagem. No set, o cachorro, muito brincalhão, aprendeu os códigos sonoros e se imobiliza quando ouve ‘Shoot’, voltando a se agitar na hora do ‘Cut’, quando invade o cenário para tentar derrubar o mocinho das montanha Brokeback. Sei não, mas conheço um monte de gente, de todos os sexos, que adoraria bancar o totó para derrubar o Jake. Vou ver ‘O Príncipe da Pérsia’ de novo amanhã à noite. Perdi um pedaço e quero tirar a teima. Do que vi, goswtei, mas meus amigos portugueses não põem fé de que o filme do game vá repetir o sucesso da franquia de ‘O Pirata do Caribe’, que, a propósito, tem um quarto episódio no qual Penelope Cruz vira o interesse romântico de Jack Sparrow/Johnny Depp. Os dois já trabalharam juntos. Como se chamava aquele filme sobre drogas? Era uma palavra só, mas qual?

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