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Coisa mais linda, Liv!

Luiz Carlos Merten

10 Dezembro 2009 | 14h23

Morri de inveja de Jotabê Medeiros quando ele foi a Nova York, nem me lembro mais para quê, e aproveitou e assistiu ao ‘Hamlet’ de Jude Law. Mas vontade mesmo de voltar a Nova York eu tenho agora, para assistir a ‘Um Bonde Chamado Desejo’, na releitura de Liv Ullman para a peça de Tennessee Williams. Cate Blanchett é quem faz o papel de Blanche DuBois e a crítica norte-americana já esgotou seus adjetivos para dizer como a grande Cate consegue, pela primeira vez em décadas, fazer com que a plateia se esqueça da sombra que Vivien Leigh projetou sobre a personagem, por sua participação no filme de Elia Kazan, que no Brasil se chama ‘Uma Rua Chamada Pecado’. A lendária crítica Pauline Kael considerava a criação de Vivien a maior registrada por uma câmera, em toda a história do cinema, e eu não sei se teria motivos para mudar de opinião. Quem sabe se tivesse tipo tempo de assistir a Cate… Acrescento o post porque acabo de ler no ‘Globo’ de hoje um texto da correspondente de Nova York, Marília Martins, justamente sobre como Liv, a musa de Ingmar Bergman, encanta público e crítica dos EUA com sua montagem de “Um Bonde Chamado Desejo’. Seu texto dá conta do assunto a partir do relato de um encontro que Liv teve nesta semana com o crítico Philip Lopate, diante da plateia lotada do Harvey Theatre, parte do Brooklyn Academy of Music (BAM), em Nova York. Já falei para vocês da emoção que tive ao entrevistar Liv Ullman, quando esteve em São Paulo. Transcrevo, citando a fonte, uma parte da reportagem, porque tem a cara de Liv. Ela estava explicando como, aos 70 anos, se sente em paz com a vida e seu trabalho como atriz e diretora. Leiam com a atenção que esse belo texto merece,
‘Por muitos anos tive a imagem de minha avó e do momento em que, quando criança, descansava no seu colo e sentia o perfume que ela tinha no pescoço como o momento mais seguro e tranquilo que havia tido na vida. Por muitos anos, procurei aquele cheiro familiar, sem encontrar. Um dia, numa missão como representante da ONU para refugiados, visitei a ilha de Macau e fui a um leprosário. Entrei no lugar sentindo uma aversão incrível e vi uma senhora tomada pela doença, que chorava muito. Tomei coragem e me aproximei. Foi a única vez em que voltei a sentir aquele cheiro da minha avó. Aquilo me mostrou que todos nós somos feitos da mesma matéria demasiado humana.’
Espero, sinceramente, que vocês estejam tão impactados quanto eu. Coisa mais linda, Liv!

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