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Luiz Carlos Merten

20 Maio 2011 | 15h33

CANNES – Corri feito louco hoje assistindo a filmes, redigindo materias e fazendo entrevistas. Perdi boa parte da minha tarde com ois deslocamentos para falar com Lars Von Trier e Takeshi Miike, mas não diria que foi perda de tempo. Gostei de ‘Hara-kiri’ e pude fazer minhas perguntas e observações sobre o clássico de Masaki Kobayashi. Encontrei um Lars Von Trier que me pareceu sinceramente consciente da cagada que deu com aquelas declarações na coletiva de ‘Melancholia’. Ele me disse que estava de ótimo humor e começou fazendo piada. Quando percebeu, tinha dito coisas sem volta e ele próprio comparou – ‘Foi como derrapar na curva e não conseguir recuperar o controle do carro. Tudo o que dizia só fazia piorar a situação.” Uso um trecho da entrevista na edição de amanhã do ‘Caderno 2’, mas vou reservá-la para a estreia dfo filme, que está sendo prometida para junho (agora) ou julho. Passei por sentimentos desencontrados em relação ao filme de Paolo Sorrentino, ‘This Must Be the Place’, o primeiro em língua inglesa que ele faz. Amo Sorrentino, mais até por ‘O Amigo da Família’ do que por ‘Il Divo’. Até certo ponto, seu filme dialoga com o que ocorreu com Von Trier, embora isso seja mera coincidência claro. Sen Peann, no filme de Sorrentino, faz um decadente astro de rock que, para sentir digno do pai, um velho judeu que morreu, parte em busca de um carrasco nazista. O tal nazista nem era do primeiro time. Era um marca-diabo, mas humilhou o pai do nosso roqueiro e desencadeou o seu desejo de vingança. O que ocorre no filme é a versão politicamente correta que veio compensar o atropelo de Lars Von Trier. Comecei detestando. Não sou o maior fã de Sean Penn e vê-lo vestido de mulher, maquiado, como aquele roqueiro (Marilyn não sei das quantas) realmente não é minha cup of tea. Quase levantei e fui embora, mas aí o filme foi me ganhando e no final estava gostando. Só que esse efeito estyá sendo passagfeiro. Ao contrário do filme dos Dardenne, ‘Le Gamin au Vélo’, que cresce, o de Sorrentino vai diminuindo…. Não tenho tempo para seguir postando. Tenho de correr para assistir a ‘O Assassino’, de Elio Petri, em Cannes Classics. Até onde me lembro, o personagem (sofista) de Marcello Mastroianni é a verdadeira origem da estética política de Petri no começo dos anos 1970, com ‘Investigação Sobre Um Cidadão’ e ‘ A Classe Operária Vai ao Paraíso’. Bye-bye que eu não quero perder.