Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Coadjuvantes de luxo

Cultura

As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Cultura

Coadjuvantes de luxo

Luiz Carlos Merten

27 Agosto 2007 | 16h48

Pensaram que eu ia falar da eterna Thelma Ritter? Que nada! Fui ver hoje de manhã A Hora do Rush 3. Havia visto o 1 e o 2, dirigidos por Brett Ratner, que também assina o 3. Ratner tentou ser mais sério em Dragão Vermelho, com Anthony Hopkins de volta à pele de Hannibal Lecter, depois dirigiu X-Men 3 (após ser demitido de Batman Begins)e voltou às aventuras de Jackie Chan e Chris Tucker. Mentiria, se dissesse que não me diverti, mas o filme tem coisas que me deixaram passado, como se Ratner estivesse disparando com uma metralhadora giratória. Na trama do filme, JC e CT precisam achar (e proteger) uma certa Geneviève, que possui a lista dos 13 criminosos que comandam a Tríade, a maior organização criminosa do mundo. Logo de cara, CT põe os pés pelas mãos e é repreendido pelo chefe de polícia de Los Angeles, que lembra que ele prendeu seis cientistas iranianos nos EUA. CT dispara a piada – ‘Só por que eles estão inventando a cura do câncer, não significa que não sejam terroristas.’ É para rir? Não sei se depois de velho estou ficando politicamente correto, mas não achei graça. Ou então é a coisa ideológica mesmo, pois achei muita graça no motorista francês que quer ser americano para aprender a matar sem culpa. (A piada é que os americanos fazem guerras sem motivo, ou melhor, só por um motivo muito sério, o poder e o dinheiro. Ha-ha.) Não sou louco de dizer que A Hora do Rush 3 é bom, mas tem algumas coisas legais. O número no cabaré é uma recriação – vá lá que seja, em tom menor – do balé inspirado em Mickey Spillane de A Roda da Fortuna (The Band Wagon), de Vincent Minnelli, de 1953, com Fred Astaire e Cyd Charisse. É um dos maiores musicais do cinema e é citado, num momento lindo, em Santiago, o grande filme de João Moreira Salles em exibição nos cinemas. (Já viram?) E o desfecho na Torre Eiffel, em que a bandeira francesa serve de anteparo para a dupla, é bem simpático. Leva a outra piada que achei divertida, quando Roman Polanski reaparece na pele do chefe de polícia de Paris que defende, a seu favor, a colaboração franco-americana. Ter Polanski e o bergmaniano Max von Sydow como coadjuvantes é um luxo do qual Brett Ratner pode se gabar em A Hora do Rush 3.