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Luiz Carlos Merten

11 Fevereiro 2007 | 21h19

BERLIM – A coletiva de Clint Eastwood foi um espetaculo. Compensou a frustracao de saber que nao poderei entrevista-lo, nem num grupo pequeno, porque Clint cancelou todos os seus compromissos na Berelinale para regressar logo aos EUA. Chegaram na sala de coletivas, com gente pendurada ateh no lustre, Clint, Ken Watanabe e outros dois atores japoneses de Cartas de Iwo Jima – com eles, falo amanhah. Sobre o que disse Clint, haverah muito para comentar, mas gostei particularmente de algumas coisas que jah quero antecipar. Clint eh de 1930. Completa 77 anos em 2007. Disse que estah muito velho para fazer concessoes e, por isso, faz soh os filmes que quer, como quer. Mas tambem nao estah tao velho que tenha perdido sua curiosidade pelo outro. Ele diz que isso deve vir do trabalho como ator, que consiste em dar vida a outros personagens. Como diretor eh a mersma coisa. Cada historia, cada personagem encerra uma viagem que ele comeca como se ainda fosse principiante. O dia em que achar que ssabe tudo e nao tem mais nada para aprender, ele para (I quit, garantiu). Isso me tocou porque, guardadas todas as diferencas, eh assim que me sinto. Ainda tenho tanto coisa para ver, escrever, aprender. Aprendo com voces, que fazem os comentarios do meu blog. Clint contou de sua relacao com o cinema japones. Disse que, nos anos 50, morava em Los Angeles e havia um cinema especializado em mostrar a prpoducao japonesa. Foi nele que assistiu aos seus primeiros Kurosawas (Rashomon, Os Sete Samurais, Yojimbo). Em Cannes, encontrou-se certa vez com o Imperador, como Kurosawa era chamado. Conversaram sobre suas carreiras, seus sonhos. Clint disse que, em Cartas de Iwo Jima, nao quis emular nenhum grande diretor japones, nem Kurosawa, ateh porque nao conseguiria. Mas disse que aprendeu muito nessa historia de olhar o mundo pelos olhos de uma cultura diferente da dele. Todo mundo riu muito quando disse que, afinal, foi um longo caminho ateh se tornar um diretor japones com as suas Cartas.

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