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Clint, provocante como pin-up boy

Luiz Carlos Merten

19 Março 2007 | 14h30

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Havia comprado em Paris, de retorno do Festival de Salônica, no fim do ano passado, o volume da coleção Icons Cinéma, da Editora Taschen, dedicado a Clint Eastwood. Em casa, fui colocando livros e DVDs em cima do volume e terminei por esquecê-lo. Nestes dias de convalescença, terminei por encontrar o livro e, pela primeira vez, o folheei. É uma história ilustrada da vida e da carreira de Clint. Já disse que meu blog é de texto, porque não tenho muita paciência de ficar escaneando fotos para postar, mas acho que vou abrir uma exceção. As fotos de Clint no começo da carreira, quando era aspirante a ator na Universal, são muito legais. Tem uma em que ele aparece num grupo, ouvindo Marlon Brando falar sobre a arte da representação. Em outra, aparece de short (minishort, curtíssimo) ao lado de Gia Scala, starlette que não chegou a fazer carreira, numa cena, digamos, ‘provocante’. São muitas as fotos de Clint como galã, exibindo os músculos, mas o shortinho e o topete não poderiam ser mais anos 50. Gostei muito de uma frase atribuída a Richard Burton, sobre Clint. Ambos dividiram a cena em O Desafio das Águias, um filme de ação de Brian G. Hutton, desenrolado durante a 2ª Guerra que, até onde me lembro, é movimentado e divertido. Na história, cheia de reviravoltas, Burton e Clint integram comando cuja missão é libertar oficial americano que está prisioneiro dos nazistas numa fortaleza nos Alpes. Embora baseado num best seller de Alistar McLean, com roteiro do autor, O Desafio das Águias é, obviamente, uma conseqüência do tipo de aventura que Robert Aldrich inaugirou com o eletrizante Os Doze Condenados. Burton define Clint como o mais minimalista dos atores. Sua arte, é o que diz o ex-marido de Elizabeth Taylor, consiste em substituir as palavras por gestos essenciais. Clint reduz quatro linhas de diálogo a quatro palavras e isso, já assinalava Burton, era ser um grande ator de cinema.