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Cultura » Clint, lá vou eu!

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Luiz Carlos Merten

02 Fevereiro 2007 | 14h03

Acrescento um post rapidinho só para dizer que estou de volta de Santos e a caminho de Alphaville, onde assisto daqui a pouco, na cabine da Warner, a… Tã-tã-tã! Cartas de Iwo Jima. Estou louco para ver o ‘outro’ filme de Clint, depois de ter amado A Conquista da Honra. Sei que tem gente que gosta menos de A Conquista da Honra ou que passou a gostar menos depois de assistir a Cartas, pelo qual ele ganhou suas indicações (melhor filme e diretor) para o Oscar deste ano. Falo mais sobre o filme, ou os filmes, depois. Mas quero dizer que foi minha, devidamente encampada pelo editor Ubiratan Brasil, a idéia de juntar na capa de hoje do Caderno 2 as duas estréias. A Conquista da Honra e Dias de Glória, de Rachid Bouchareb, indicado para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Juntar os dois era até uma coisa meio óbvia, mas havia um recorte que me parecia mais interessante, ou original. Falo depois dos dois títulos brasileiros (do filme do Clint e do de Bouchareb), porque agora não tenho tempo. Mas sugeri, e o Bira topou, que a gente juntasse os dois sob o título Memórias de Nossos Pais, que é como Flag of Our Fathers está sendo lançado na França. A despeito de diferenças de estilo e paisagem, os dois filmes têm tudo ver. Tratam da 2ª Guerra, do sacrifício paterno, narram memórias de nossos pais e discutem o heroísmo. Quem for ver o filme do Clint antes que eu volte a postar, preste atenção, perto do fim, na cena da estrada. Dura segundos, mas foi uma coisa que me causou uma emoção tão funda que… Vou parar, termino chorando (palavra!) se prosseguir agora. Quero também acrescentar que vi ontem em Santos, na abertura do FIC, festival Internacional de Cinema, no novo conjunto de salas Unibanco da cidade, o Querô, que Carlos Cortez adaptou de Nas Quebradas da Vida, de Plínio Marcos (que já havia sido filmado como Barra Pesada, pelo Reginaldo Faria). Adoro o Cortez. Acho um cara muito legal. Acreditava no projeto, na seriedade dele, mas Querô, o filme, não me envolveu como esperava que ocorresse. Tem coisas que, a uma primeira visão, não me agradaram, mas uma coisa é certa – o trabalho com o elenco juvenil é excepcional. E foi lindo, para mim, depois de ver o filme, assistir, em outra sala, aos minutos finais da sessão que estava sendo realizada especialmente para a garotada do Cortez. A emoção daquela gurizada superou a minha, mas foi bonito ver a euforia deles, os aplausos, os cumprimentos. Cortez e seus produtores, os irmãos Gullane, criaram as Oficinas Querô, um projeto que não é só artístico, mas social, para formar atores e mobilizar a comunidade. Vamos ter de voltar a isso. O filme estréia só em junho. Até lá, o mercado está tomado. Em junho, entram os blockbusters de Hollywood e o Querô vai ser meio que um antiprograma, o que, espero, seja benéfico para o filme. Temos chão pela frente, portanto.

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