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Luiz Carlos Merten

11 Novembro 2008 | 13h49

Escrevi uma página inteira na edição de sexta-feira passada do ‘Caderno 2’ sobre ‘Climas’ – uma entrevista com o diretor turco Nuri Bilge Ceylan, que havia encontrado em Cannes e no Festival de Salônica, na Grécia, em 2006, mais a crítica do filme, que me encantou. Não estou muito disposto a repetir tudo o que já disse sobre o filme e o autor, mas Bilge Ceylan é hoje reconhecido como importante e, se em 2008, ele ganhou com ‘Climas’ o prêmio da crítica no maior festival do mundo, este ano foi recompensado pelo júri de Cannes por ‘Three Monkeys’, que passou na Mostra. Sou louco pela maneira como Ceylan integra a natureza à narrativa de seus filmes. Em ‘Climas’, a ruptura do casal se manifesta por meio das estações, mas ele resiste a dois clichês – o verão como apogeu da dupla e a primavera como renascimento. O casal já está numa crise violenta no verão e não existe primavera no filme de Ceylan. Existem aqueles céus borrascosos, cheios de presságios de tempestades e eu adoro isso, pela plasticidade e intensidade dramática. O próprio Nuri Bilge Ceylan faz o protagonista masculino de ‘Climas’. Sua mulher (na vida), Edrun, é a protagonista feminina, uma grande – e bela – atriz. Como ele é crítico em relação a si mesmo e celebra a mulher – as mulheres, pois existe outra -, a crítica tende a achar que ‘Climas’ é sobre elas, mas o próprio diretor me disse que acha que é um filme sobre o homem. Vocês viram? Gostaram? Não percam…

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