Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » Claire Denis

Cultura

Luiz Carlos Merten

05 Novembro 2010 | 11h19

Havia entrevistado Claire Denis em janeiro, em Paris, durante os Encontros do Cinema Francês. Voltei a falar com ela ontem à noite. Estava de mala pronta para viajar aos EUA, mas foi muito simpática. Conversamos, de novo, sobre seu longa ‘White Material’, com Isabelle Huppert, que estreia hoje como ‘Minha Terra, África’. Pedi a entrevista, e fui rapidamente corresponmdido, porque achei importante voltar a falar com a Claire após assistir a ‘Um Homem Que Grita’ e, principalmente, falar com Mahamat Saleh Haroun na Mostra. São duas visões da África, não diria que complementares, mas muito interessantes e que se somam. Claire Denis adota o ponto de visata da África branca, do colonizador, mas tem sensibilidade para incorporar o garoto soldado, com quem encerra seu filme. Haroun é o próprio nativo e foi esclarecedor conversar sobre a importância da água no imaginário chadiano, o que explica a piscina e o funeral em ‘Un Homme Qui Crie’. E ambos falam de coisas comuns – guerra civil, rebeldes, crianças soldados. Claire me disse que é amiga de Haroun e acompanha seu trabalho. Viu todos os seus filmes, incluindo os curtas. Justamente o garoto, no final do filme dela. Ele veio do filme anterior de Haroun, ‘Darrat’. Não é profissional. Claire teve de buscá-lo em Camarões, mas ela queria aquele garoto. Não teria sabido dessas coisas, se não tivesse falado de novo com ela, invocando o nome de Mahamat Saleh Haroun. O filme estreia dia 19. Será o cartão de apresentação de uma nova distribuidora, a Bon Film, de Christian Boudier, que promete trazer para o Brasil cinema de autor (e filmes africanos, incluindo outros de Haroun).