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Luiz Carlos Merten

11 Setembro 2006 | 13h09

Evaldo Mocarzel manda e-mail para implicar, como ele diz. No texto que saiu hoje na página de DVD do Estado cito Jean Rouch como o homem que inventou o cinema-verdade. Evaldo lembra que Rouch transpôs para o francês a expressão ‘kino-pravda’, que significa justamente isso, e que fora criada, nos anos 20 e 30, por Dziga Vertov. É verdade, Vertov criou o Kinoglatz, o cinema-olho, e o Kinopravda, o cinema-verdade, mas seu cinema de propaganda, pioneiro que seja, não impediu que Rouch, 30 anos mais tarde, ficasse com a fama da criação do cinema-verité. O mais curioso é que Dziga-Vertov quis revolucionar a montagem para captar a vida como ela é, mas com freqüência usou material alheio para ilustrar seu conceito, o que termina por dar razão a Rouch, quando diz que até a mentira da ficção, quando sincera, pode ser a verdade do cinema. Um paralelo interessante entre ambos é que a parte lírica da obra de Vertov envelheceu bastante e ficou datada. A de Rouch tem a juventude que filmes como Os Mestres Loucos e Eu, Um Negro, ambos com 50 anos, ou mais, podem ter. Os dois filmes integram o DVD da Coleção Videofilmes, à venda por R$ 44,90.