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Cultura » Cinema-verdade (só o cinema?)

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Luiz Carlos Merten

21 Março 2008 | 07h55

Tive ontem um dia que poderia definir como tendo sido de cão. Muitos textos para a edição de hoje do ‘Caderno 2’, a de domingo do ‘Cultura’, tive de ver filmes (em DVD) e até dei uma entrevista para um trabalho de faculdade de um garoto que foi me visitar no ‘Estadão’. Toda esta atividade me estimula e eu não consigo mde imaginar parado, ou trabalhando em casa. Adoro a agitação da Redação. Meu flagelo é a aposentadoria, com a qual tanta gente sonha. Ouvi de uma pessoa que cobre a área de teartro que o sonho dela era s aposentar e nunca mais ter de ver peça nenhuma. Eu, hein? Um dos meus filmes do coração é ‘Chuvas de Verão’, de Cacá Diegues. Acho comovente quando o Jofre Soares, no começo, diz que agora que se aposentou vai vestir o pijama e nunca mais tirar. Mas a vida vem e ele recomeça. Ouço dizer que é um dos maisd belos filmes sobre a solidão e a velhice, com ‘Umberto D’, de Vittorio De Sica, e ‘Morangos Silvestres’, de Ingmar Bergman. Já que nesta viagem cheguei a Cacá, quero aproveitar e falar de outro grande diretor brasileiro. Recebi ontem no jornal, enviado por minha amiga Anna Luiza Müller, o novo pacote de DVDs da Videofilmes. Não sou um grande admirador de ‘Batismo de Sangue’, do Helvécio Ratton (mas o Caio Blatt é maravilhoso no filme). Acho fascinante ‘Crônica de Um Verão’, que Jean Rouch realizou no começo dos anos 60 (em parceria com o sociólog Edgar Morin). Beneficiando-se das novas tecnologias da época – câmera leve, portátil, som direto -, os dois foram para as ruas de Paris e interpelaram as pessoas, fazendo-lhes uma pergunta tão aparentemente simples quasnto na verdade complexa – ‘Você é feliz?’ Poderíamos fazer a enquete aqui e ela produziria, quem sabe, resultados muito interessantes. No caso de Rouch e Morin, tudo o que as pessoas dizem, revelam, manifestam, sentem de certa forma antecipa a mágica de Eduardo Coutinho, que sabe, como ninguém, retirar da pessoas o que elas quwerem dar (e mais um pouco). E ‘Crônica de Um Verão’ virou o manifesto do cinema-verdade. Veja para saber como, e por quê. Estou reservando Joaquim Pedro para o final, mas como não vou conseguir falar pouco sobre ele, deixo para o próximo post.