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Luiz Carlos Merten

05 Janeiro 2008 | 18h10

Fui ver ‘O garoto Cósmico’ hoje de manhã numa sessão para convidados no Cinemark do Market Place. Havia perdido a sessão da manhã de ontem no Espaço Unibanco e me toquei para o Market Place. Gostei mais da animação, do desenho em si, do que da história, mas o que quero contar agora é o seguinte. Não gosto nem um pouco da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, que me parece grande demais e um tanto caótica. Em compensação, nas raras vezes em que vou ao Market Place, termino visitando a Cultura de lá, que me atrai muito mais. Hoje, comprei um livro muito interessante. ‘Cinema Now’, de um tal Andrew Bailey, é uma edição da Taschen, que tem livros maravilhosos de cinema. A própria Taschen tem uma coleção à venda na Cultura – cinema dos anos 30, 40, 50 etc… – e este ‘Cinema Now’ não deixa de ser o volume ‘contemporâneo’ da dita coleção. Bailey esclarece na abertura que fez uma seleção dos melhores, mais inovadores e influentes autores da atualidade. Não, a lista dele não tem M. Night Shyamalan nem Arnaud Desplechin, mas em compensação tem Kim Ki-duk, Bong Joon-Ho, Laurent Cantet, Lucrecia Martel, Fernando Meirelles, Christopher Nolan, Apichatpong Weerasethakul, Alejandro González-Iñárritu. Carlos Reygadas, Terrence Malick, Guillermo del Toro, Michael Mann, Wong Kar-wai, Hou Hsiao Hsien e muitos outros que não me lembro agora, porque estou citando de memória. Não li ainda os textos, mas as fotos são deslumbrantes e algumas frases já ficaram comigo. Iñárritu e Hsiao Hsien dizem que o cinema é uma experiência fragmentada, que a gente retém apenas partes (fragmentos) dos filmes e por isso eles gostam de trabalhar com a emoção, criando essas cenas que vão marcar. Muito interessantes que dois diretores de estilos tão diversos digam isso, mas acho que ‘Babel’, ‘Millenium Mambo’ e ‘Three Times’ no fundo têm mesmo em comum esta coisa de ser filmes cuja estética quer refletir, criticamente, este mundo globalizado. Sugiro que dêem uma olhada no livro, ou nos livros. Como são importados, com textos em espanhol e italiano, não custam barato, mas só aquelas fotos já valem. Já disse para vocês que não gosto muito de ‘A Batalha no Céu’, de Carlos Reygadas – embora ame ‘Japón’ e ‘Luz Silenciosa’. Pois bem, as fotos de ‘La Batalla nel Cielo’ me deixaram morrendo de vontade de rever, ou quem sabe, ver o filme do Reygadas, porque tinha ali imagens de que eu não me lembrava. E as de ‘O Novo Mundo’, do Malick? O filme é visualmente tão esplendoroso como aquelas fotos? O importante é que só as fotos já me trouxeram os filmes e eu estou aqui imerso em fragmentos admiráveis, como diriam o Iñárritu e o Hou Hsiao Hsien.