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Cinema chileno hoje

Luiz Carlos Merten

22 Junho 2012 | 09h48

O Guia do ‘Estado’ e do “Jornal da Tarde’, os guias, homenageiam Carlos Reichenbach e, na capa de hoje, fornecem o roteiro da São Paulo do diretor que morreu na semana passada. A Sampa que ele amava, que colocou nos filmes. O Carlão merece e seus admiradores, também. Parabéns. A ‘minha’ SP inclui a Galeria Olido e seu simpático cineminha, no Centrão, que esta semana apresenta o ciclo ‘Cinema Chileno Hoje’. Na quarta à tarde, houve projeção, seguida de debate, de ‘O Céu, A Terra e a Chuva’, de José Luís Torres Leiva, o único diretor que veio prestigiar a abertura do evento. Havia um público razoável, que ficou até o fim. Se não era o único jornalista presente, fui, mesmo assim, dos raros senão único a fazer matéria (que está no ‘Caderno 2’ de hoje, a entrevista com o diretor). Acho graça dessa gente. Reclamam da dominação de Hollywood, mas ignoram iniciativas do gênero. Gostei de conversar com José Luís. O cara é novo. Relatei minhas experiências no Chile em 1973, quando ele ainda não era nascido, às vésperas do golpe. Os filmes que vi – de Aldo Francia, Miguel Littín, Raul Ruiz. Conversamos bastante sobre os filmes de Ruiz dos anos 1970 que ele descobriu na escola de cinema – ‘Três Tristes Tigres’ e ‘Palomita Blanca’. Acho Ruiz um dos casos mais interessantes do cinema chileno (e latino), embora tenha aquela fixação por ‘El Chacal de Nahueltoro’, de Littín, e também ache que Ruiz encontrou na Europa, e na França, as melhores condições para o pleno desenvolvimento de seu talento singular. Ruiz fez tantos filmes – mais de uma centena. Escolher um entre tantos é temeridade, mas juntando a sinularidade do autor ao meu gosto pela aventura não hesitaria muito em escolher ‘Les Trois Couronnes du Matelot’.