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Luiz Carlos Merten

18 Dezembro 2007 | 14h15

Fui comentar o Gran Coral de Reygadas com meu colega Luiz Zanin Oricchio e terminei falando da luz do filme, que é uma coisa ezxtraordinária, até para justificar o título – ‘Luz Silenciosa’. Este é um daqueles filmes que poderiam entrar na lista dos mais belos visualmente, mas eu compreendo o entusiasmo de quem elogiou a bela fotografia de ‘Os Guarda-Chuvas do Amor’, de Jacques Demy. A verdade é que estou viajando. Misturei tudo isso com o pedido de informação sobre os filmes checos dos anos 60, realizados na época que ficou conhecida como ‘primavera de Praga’, esmagada pelos tanques soviéticos que acabaram com o sonho libertário de uma geração que estava concretizando o socialismo humanista. O cinema checo era maravilhoso. Lembro-me dos filmes de Milos Forman (‘Pedro o Negro’, ‘Os Amores de Uma Loira’, ‘O Baile dos Bombeiros’), dos dois filmes checos que ganharam o Oscar em 1965 e 67 (‘A Pequena Loja da Rua Principal’, de Kadar e Klós, e ‘A Pequena Loja da Rua Principal’, de Jiri Menzel) e de tantos outros filmes que foram marcantes na época. ‘Um Dia Um Gato’, ‘Um Desafio à Vida’, ‘Os Cachimbos do Adultério’, ‘A Tarde um Velho Fauno’ (de Vera Chytilova, que trabalhava muito com o marido, um grande diretor de fotografia, como era mesmo o nome dele? Kucera, alguma coisa assim) e, naturalmente, os filmes de marionetes de Karel Zeman e Jiri Trnka. Zeman fez uma adaptação de Jules Verne (‘Aventuras Fantásticas’) que era uma coisa de louco. E o Trnka, então? Considerado o maior diretor de filmes de marionetes – era assim que P.F. Gastal o definia em Porto Alegre – ele adaptou Shakespeare (‘Sonhos de Uma Noite de Verão’) e fez uma paródia de western que era uma delícia (‘A Canção da Pradaria’). Vocês já têm indicações suficientes para muitas viagens na internet, mas ainda falta aquela que foi a primeira de todas, num post anterior, quando disse que assisti no Peru ao filme de Karel Kachyna ‘Saltando Otra Vez los Charcos’. Era tão bonito… Gostaria de acreditar que continua sendo, 40 anos depois.

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