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Luiz Carlos Merten

30 Janeiro 2007 | 09h11

Escrevi ontem um post para meio que falar mal de dois atores que admiro (e são favoritos para o Oscar deste ano). Helen Mirren e Forest Whitaker devem ganhar o prêmio da Academia de Hollywood por suas interpretações que mimetizam personagens reais em A Rainha (Elizabeth II) e O Último Rei da Escócia (Idi Amin Dada). Já disse, o que pode ser um equívoco da minha parte, que prefiro atores que criam integralmente seus personagens, sem nenhum modelo ‘objetivo’ em que se basear. Além do quê, se a exterioridade de Helen Mirren como Elizabeth II é perfeita, o seu interior é uma licença do diretor Stephen Frears, que inventou a personagem sob medida para os fins que lhe interessam. (Nota – Gosto demais do filme do Frearsm, mas, para mim, ele é sobre Tony Blair, mais que sobre a rainha.) Tudo isso que falo é para incorrer numa contradição. Folheando as revistas que Dib Carneiro Neto me trouxe de Paris, encontrei, em Première e Studio, fartíssimo material iconográfico sobre La Vie en Rose, o filme sobre a môme Edith Piaf a que devo assistir na semana que vem, na abertura do Festival de Berlim. Você olha a foto de Piaf e a de Marion Cottillard, que interpreta o papel, e não há nenhuma diferença entre as duas – é impressionante. Mais impressionado ainda fiquei quando vi uma imagem de Factory Girl, o filme de George Hickenlooper sobre a Factory, a famosa usina de criação de Andy Warhol, focalizada a partir de Edie Sedgwick, que foi ‘a’ musa do artista. Edie é interpretada por Sienna Miller, a ex de Jude Law, mas eu fui correndo ler a nota para ver quem era o intérprete de Warhol. Parecia uma foto do próprio Warhol, só que quem faz o papel é Guy Pearce. Li que, na trama, há um cantor e compositor, interpretado por Hayden Cristensen, que é o próprio Bob Dylan, mas, neste caso, não acho que haja possibilidade física que o dublê de Annakin Skywalker/Darth Vader, conseguir mimetizar o Dylan. Não sei exatamente aonde quero chegar, mas depois que Jamie Foxx ganhou o Oscar por Ray virou moda mimetizar personagens reais em filmes de prestígio adaptados de suas vidas. É verdade que Hollywood sempre fez cinebiografias, mas, em geral, o astro ou estrela, que interpretava o papel, era mais importante do que o biografado. A situação mudou, não sei exatamente se para melhor. E Spike Lee, por exemplo, que já transformou Denzel Washington em Malcolm X (mas ele permanecia DW), agora vai filmar James Brown. A série continua…

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