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Luiz Carlos Merten

24 Março 2012 | 11h19

Nem César nem eu temos bola de cristal e pode muito bem ser que ‘Jogos Vorazes’1, embora planejado para saer uma franquia de sucesso, venha a dar com os burros n’água, o que, para mim, seria pena, porque adorei a Jennifer Lawrence e sua personagem no filme bem dirigido por Gary Ross, que já nos havia dado ‘Seabiscuit’, que curti imensamente. Sinceramente, não me incomoida que determinados filmes – candidatos a blockbuster? – sejam planejados e executados como operações de guerra, porque já tenho corrida suficiente para saber que, nesse negócio, o cinema, existe um elemento, o imponderável, muito forte. O que não entendo é esse ódio – a música vai subir, os babacas na plateia, comendo pipoca e tomando refrigerante… Bem, nesses não me incluo, mas tirando isso, já disse, e sempre tem gente que se surpreende, que não consigo ver, diferentemente, um filme como ‘Jogos Vorazes’ e outro como ‘A Invenção de Hugo Cabret’, que, no fundo, são manifestações da mesma indústria (e o Scorsese botou seu black-tie para ir receber o Oscar que não ganhou, não?). Imaginem a situação. Estou indo ver ‘Jogos Vorazes’. Como sou um robô, aperto o botãozinho que diz ‘entretenimento’ e vou fundo. Mas, esperem, agora vou ver… Alguma coisa de arte. O botãozinho é outro e lá me vou, bem compenetrado. Isso é, me desculpem, o que fazem os intelectuaizinhos de m… Nessa de arrumar as estantes da minha casa, os livros que estavam espalhados em pilhas, a Madá, que fez a seleção para mim, descobriu vários livros duplos e até triplos, que recebo das editoras. (Outras não me enviam nenhum, o que também não tem importância.) Um desses duplos foi o ‘Cine Filô’, de Olivier Pourriol, em que as mais belas questões da filosofia são transpostas para o cinema. A vontade e a razão, Descartes em ‘Colateral’, ‘O Clube da Luta’? Spinoza, a experiência da eternidade, como vencer a morte? Em ‘Highlander’? Se o filme não vem acompanhado de manual, nossos intelectuais, incrustrados na crítica, não têm o mínimo discernimento, talvez porque a filosofia faça parte de uma máscara, uma persona, e não seja ferramenta do seu cotidiano para tentar viver a vida um pouco melhor. Agora, diante de ‘Dias de Niesztche em Turim’, todo mundo deita falação, uma porque é Bressane e dois, porque está no título. He-he. Eu confesso que achei o filme do Gary Ross bem interessante, se vai corresponder, para o público, não me diz respeito e eu estou mais preocupoado com o fracasso de ‘John Carter’, porque certamente vai me privar de continuar seguindo as aventuras do herói futurista de Edgar Rice Burroughs. O medo do pop paralisa um monte de gente, que tem medo de ser ‘contaminada’. Querem viver como os monges, nos antigos mosteiros, mas a peste chegava até eles, não? Sou pelo salto sem rede, tentando decifrar/entender o mundo em que vivo. Mirem-se no exemplo…. De Coppola? De Umberto Eco? A série do ‘Chefão’ foi executada como um produto comercial, mas plena de referências culturais. E quando estava na pior, endividado, o pai de Sofia fez o 3. Ao mesmo tempo, o que ganhava aqui, Coppola arriscava em projetos mais experimentais. Grande! Sou assalariado, funcionário de um grande jornal (o maior de SP, a concorrência é só propaganda.). Tenho sido, estes anos todos, respeitado e espero conmtinuar sendo, mas não só pelas capas. Também pelos filmes na TV, que adoro. A Paris, que distribui ‘Jogos Vorazes’, tem uma carteira de filmes mais sofisticados, ‘artísticos’, e este ano, para felicidade da distribuidora, eles estouraram – ‘Meia-Noite em Paris’, ‘O Artista’. Que siga o baile, e deem uma chance a Jennifer Lawrence.

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