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Cinco vezes a nova favela

Luiz Carlos Merten

02 Outubro 2006 | 20h13

Antes da exibição de Nenhum Motivo Explica a Guerra, ontem à noite, no Cine Odeon BR, encontrei Cacá Diegues, que forrava o estômago comendo um sanduíche. Cacá me deu os últimos números de O Maior Amor do Mundo – 170 mil espectadores, o que pode ser pouco, mas não está mal, dada a exigência do filme e o quadro geral de público do cinema brasileiro e internacional no País, em 2006. O mais legal é o novo projeto do Cacá. Ele quer refazer Cinco Vezes Favela, que foi um marco na explosão do Cinema Novo, no começo dos anos 60. Cacá dirigiu, no original, o episódio Escola de Samba Alegria de Viver, cujo rtítulo fornece, hoje, uma súmula de sua obra. Cacá agora não quer dirigir. Quer que os próprios favelados façam o filme. Como ele diz, existem muitas oficinas de audiovisual em comunidades de favelas, muita gente preparando-se para dirigir, atuar, fotografar, iluminar, montar filmes. Isso está totalmente de acordo com o espírito de Nenhum Motivo Explica a Guerra, no qual o afro-reggae não é um projeto musical, em si, mas uma alavanca para uma coisa muito mais ampla, um projeto de construção da auto-estima e da cidadania do favelado. Pode vir coisa muito boa daí. A favela, o morro sempre foram vistos, no cinema brasileiro, com os olhos de diretores de classe média. Cacá poderá fazer história com esses novo Cinco Vezes Favela.

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