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Luiz Carlos Merten

21 Junho 2007 | 14h19

Acabo de receber um pacote da Imagem Filmes. Abri e lá estava o DVD de Cidade do Silêncio, do Gregory Nava, a que assisti em fevereiro no Festival de Berlim. Apesar de dois chamarizes de público, Jennifer López e Antonio Banderas, Cidade não teve atrativos para ser lançado nos cinemas. A Warner está fazendo a mesma coisa com O Bom Alemão, do Soderbergh, que, pelo que li ontem nos comentários de vocês, vai ser lançado diretamente em DVD, como O Segredo de Berlim. Bem antes que a geração de Iñárritu, Alfonso Cuarón e Guillermo Del Toro começasse a dialogar com Hollywood, Gregory Nava, nos anos 80, já estava sendo incorporado ao cinemão. O caso dele é um pouquinho pior que o de Robert Rodriguez que, afinal de contas, já começou mais ou menos no besteirol, com aquele El Mariachi. Nava fez filmes considerados importantes no começo de sua carreira, mas eu admito que só conheço El Norte, de 1983, de ouvir falar. A questão é que ouço falar muito bem. Tem gente que jura que é uma obra-prima. Cooptado por Hollywood, Nava não levou para lá sua latinidade, mas deixou-se dominar pelos padrões mais comerciais. Cidade do Silêncio é o segundo filme dele com Jennifer. Há dez anos, exatamente, fizeram Selena, baseados na história da cantora mexicana que sonhava conquistar o show biz dos EUA e foi brutalmente assassinada. Nunca achei que Selena valesse grande coisa, mas é obra-prima perto de Cidade do Silêncio. Jennifer faz agora uma jornalista americana – de origem mexicana – que investiga uma série de estupros, seguida de assassinatos, de operárias na fronteira do México com os EUA, onde foi instalada uma fábrica para montagem de eletrodomésticos. A história, informam os créditos, é real, mas a trama é tão rocambolesca, e tão ajustada para que Jennifer encarne a super-mulher, que vira um horror, até porque a estrela, com aquele corpão, funciona em comédias e filmes de ação, mas não tem fôlego para um papel que exige o que ela não tem condições de fazer – representar, e de verdade. Banderas faz o jornalista mexicano que a ajuda e a trama converge para um desfecho que… Vocês vejam, por favor, mas depois não me culpem. Duas curiosidades – Sonia Braga, que já foi mãe de Jennifer López, desta vez tem uma casa de apoio para jovens (e aparece pouco na trama). E tem o Juanes, de quem nunca tinha ouvido falar, mas depois descobri que é uma top star da música chicana.