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Luiz Carlos Merten

04 Novembro 2008 | 15h30

Não vou dizer que gostaria de ser norte-americano para poder votar hoje em Barack Obama, mas estou torcendo por ele. Gostaria muito que ele vencesse as eleições nos EUA, não apenas por ser o primeiro negro a chegar à Casa Branca – e isso num país que, há 40 anos, ainda praticava o racismo institucionalizado –, mas também porque sua persona sorridente encarna uma possibilidade de mudança, enterrando de vez estes oito anos de era George W. Bush. Não sou eu que digo – são os analistas e historiadores. Bush Jr. foi um dos piores presidentes de toda a história dos EUA e eu só lamento que ainda não tenha estreado o W de Oliver Stone, que traça um retrato patético, meio Forrest Gump, do atual presidente. O George W. Bush do filme sonha ser jogador de basquete e, quando sua vocação é interrompida pelo pai, tal qual ‘Cidadão Kane’, ele busca psicanaliticamente bater-se contra esse pai, seguindo seus passos na política e chegando, também ele, à Casa Branca. O Rosebud do presidente é o time de basquete que ficou no seu passado, como o trenó de Charles Foster Kane. W permanece até o fim uma decepção para o pai e, na cena chave, tem um pesadelo em que apanha do ‘velho’ em pleno Salão Oval. Qualquer que seja o resultado da eleição, nem o McCain quer se ligar à herança de ‘Bushinho’. Mas, se é para enterrar, que seja com Obama.