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Luiz Carlos Merten

07 Agosto 2010 | 11h42

GRAMADO – Estou postando da serra gaúcha, mas espero que vocês, aí em São Paulo, já tenham corrido para ver ‘A Origem’. Na quarta, na hora de dar a cotação para o filme de Christophe Nolan, disse que ia dar o máximo. Excelente? Sim. No dia seguinte, saiu uma matéria na concorrência esculhambando o filme. Uma besta qualquer achou difícil, incompreensível – sei lá, porque não li o texto -, o que me leva a reproduzir Paulo César Pereio, homenageado deste Festival de Gramado, com o troféu Oscarito. Havia perguntando se era difícil dirigir Pereio, considerando-se que tem uma persona tão forte, e ele respondeu – ‘Quer facilidade? Come merda que não tem osso.’  É incrível, mas 50 anos atrás, também tinha gente que achava que Alain Resnais complicava desnecessariamente as coisas em ‘Hiroshima, Meu Amor’ e ‘O Ano Passado em Marienbad’. A revolução hoje é outra, mas a incompreensão é a mesma e o pensamento conservador, pára nãop dizer medíocre, não mudou. O problema da ‘Folha’, mesmo não lendo o jornal, é que além de recorrer a factóides para desencadear – a qualquer custo – falsas polêmicas (em nome do interesse do público!), o jornal, pelo que sei, tem seus críticos sérios, os ‘respeitáveis’  (meu colega Inácio Araújo) e os ‘pops’, que não sabem nada ou não entendem o ‘difícil’. Estou chutando o balde, mas escalaram o cara errado. Ninguém é obrigado a gostar de ‘A Origem’ como eu, mas que pelo menos se esforce e não dê provas de ignorância. Se eu consegui formular um conceito coerente sobre ‘A Origem’, o problema não é do filme, claro, mas de quem vê. Vejam. É deslumbrante. E a Marion Cotillard… Essa mulher não existe. Ela é o sonho.