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Churchill, A Hora Mais Sombria

Luiz Carlos Merten

12 Janeiro 2018 | 00h40

Perguntei para um amigo, naturalmente antes de ver O Destino de Uma Nação, o que achara do longa de Joe Wright sobre Winston Churchill. Ele disse que era pomposo, mas bom. Depois de assistir ao filme, fiquei pensando onde ele viu a tal pompa, e acho que foi induzido pelo título brasileiro. O Destino de Uma Nação… O da Inglaterra, graças a Churchill, foi resistir ao rolo compressor alemão, resistindo ao canto da sereia de um acordo de paz em separado que importantes lideranças vinham tentando emplacar no Parlamento inglês. O original, The Darkest Hour, A Hora Mais Sombria, é muito mais forte, e eficiente. Gostei do filme, mas não estou certo de que Gary Oldman, mesmo tendo vencido o Globo de Ouro de melhor ator de drama, esteja melhor do que Brian Cox, que nem foi indicado pelo papel, no outro Churchill. Mas O Destino de Uma Nação, o filme, é melhor, sim. É muito bem escrito, e filmado. Havia comentado, no post anterior, sobre a riqueza da mise-en-scène de Wright, baseada nos planos sequências. O novo filme tem alguns dos mais belos planos contínuos que ele filmou, quase sempre laterais, ou de afastamento, que o diretor e seu grande fotógrafo combinam com movimentos verticais da câmera para mostrar Churchill – e os ingleses, em Calais – em recortes de planos, quadros dentro do quadro, que criam a ideia de armadilhas. Churchill, os ingleses, estão tolhidos pelo avanço alemão, e no filme de Wright a grande sacada é a aliança dele com o rei, quando George VI lhe diz que a solução de qualquer problema, para o governante, é consultar o povo, buscando seu apoio (e não o enganando). Não sei se a cena do metrô é acurada, historicamente, mas como ideia dramatúrgica é brilhante. O discurso – Never surrender – tem sua dose de efeito, como clímax, e Oldman é ótimo, só não sei, insisto, se melhor que Brian Cox no outro longa, de Jonathan Teplitzky, que gostaria de rever, se ainda estivesse em cartaz. O que não há dúvida, para mim, é que Miranda Richardson e o ator que faz o rei no Teplitzky dão de dez em Kristin Scott Thomas e Ben Mendelsohn no Wright, e olhem que eles são bons. É muito interessante (re)ver a tragédia de Dunquerque, que Wright já havia filmado (em Desejo e Reparação) e Christopher Nolan transformou no melhor filme de 2017, Dunkirk. Vi o Wright no Belas Artes e, ao descobrir que também estreou O Motorista de Táxi, de Jang Hoon, pensei em emendar, mas precisei de um tempo para colocar o pensamento em ordem e vi o filme sul-coreano à noite. Achei impactante, mas me lembrou demais Os Gritos do Silêncio, de Roland Joffe. Prometo voltar ao assunto, mas agora é tarde e eu viajo daqui a pouco para Porto Alegre – de Guarulhos. Dormir vai me fazer bem.