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Cultura » Christina…. quem?

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Luiz Carlos Merten

28 Junho 2010 | 18h50

CANCUN – Sinto-me na obrigacao de retificar. Havia achado Seth Rogen um xarope, entojado demais na coletiva de Green Hornet, na qual me deu a impressao de querer transaformar o diretor Michel Gondry em mero coadjuvante, mas na mesa ele foi outra pessoa, e bem mais interessante. Falou de sua parceria com Judd Appatpow, coisas muito legais que, infelizmente, ainda nao posso publicar – o embargo nao atinge as press conferences, mas é estrito em relacao as round tables da edicao 2010 do Summer of Sony. Só como curiosidade. Sabia da existencia de Christina Aguilera, seria absurdo dizer que nao, mas a pop star nao existia em meu planeta. Cheguei a perguntar qual das duas era Aguilera na festa de Burlesque, o filme pelo qual está aqui no México (a outra era Kristen Bell, que faz a bad girl). Ontem, participei de uma round table, sentado ao lado dela. De longe, me parecera exagerada, supermaquiada, a tal loira fake. De perto, nao conseguia desgrudar o olho. Que mulher bonita! Gostei de ve-la falar com toda naturalidade da sensualidade que cerca sua persona artística e do efeitol que ela tem consciencia de produzir nos homens. Steven Antin dirige Burlesque, que marca a estreia de Christina no cinema. O filme lanca um olhar completamente diverso do de Mathieu Amalric – no premiado, em Cannes, Tournée – sobre esse universo. O filme de Mathieu retrata o burlesco a partir de dancarinas de strip tease, meio velhuscas, fellinianas, mas dotadas de um erotismo maduro irresistível (as atrizes, nao o filme). O de Antin trabalha com um burlesco mais comico e até um tanto ascetico, nao fosse o apelo sexual da protagonista. Vimos aqui pouca coisa do filme. O trailer, dois numeros musicais. Caí duro quando me dei conta de que o diretor era um dos garotos de Os Goonies, de Richard Donner, o mais taludinho da história. Virou uma senhora – as voltas que o mundo dá -, mas deixa pra lá. Adorei o cara. Disse coisas ótimas e confessou que ama Nine, de Rob Marshall. Somos tao poucos a gostar do filme que quem quer que cerre fileiras comigo em defesa da versao musical de Oito e Meio automaticamente me merece crédito.