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Luiz Carlos Merten

26 Maio 2009 | 09h54

PARIS – Havia dito que possivelmente não iria postar nada de Paris e só voltaríamos a nos falar no Brasil, mas não resisto. Estou aqui desde ontem, participando da junket de ‘Terminator Salvation’. Entrevistei agora pela manhã o diretor McG, o astro Christian Bale e o garoto Anton Yelchin, que também está em ‘Star Trek’ e, para mim, foi uma tremenda surpresa. Anton tem 20 anos, é de ascendência russa – o nome não nega – e não apenas é articuladíssimo como é cinéfilo. Havia feito a observação, em passant, que vinha de Cannes e ele falou com conhecimentro de causa sobre o vencedor da Palma, Michael Haneke, comentando a sensação de ‘voyeurismo’ que tem assistindo a certos filmes do diretor austríaco e que Haneke reforça incorporando o vídeo à dramaturgia de ‘Benny’s Videos’ e ‘Caché’. Anton criticou o dirigente russo… Ih, me deu um branco. Falou sobre Fassbinder e Sokurov e comentou que seu objetivo é virar diretor, mas daqui a 10/15 anos, quando se sentir mais maduro. Christian Bale foi ótimo, mas uma garota, que já o entrevistara, disse que ele foi caloroso porque gostou da gente. Éramos poucos, ninguém estava empenhado em fazer uma matéria de ‘escândalo’ com ele e o cara foi cordial, divertido. Disse, o que para mim foi uma surpresa, que quase não vê filmes – prefere ler – e nunca tinha ouvido falar de Haneke. Ele até estendeu a entrevista, para desespero da assessora, voltando para responder à pergunta que fiz quando já se lewvantava e era justamente sobre Ballard, o escritor que morreu, autor de ‘O Império do Sol’. Quando vi que Ballard tinha morrido, fui ao arquivo do ‘Estado’, em busca da pasta sobre ele e encontrei velhos recortes, incluindo uma entrevista em que Ballard falava sobre o garoto Christian, como era dirigido por Spielberg. Perguntei se, para criar um personagem como John Connor, no quarto episódio da franquia, Christian se voltara para o próprio passado. Afinal, vimos Connor como criança e adolescente nos filmes anteriores e, agora, como adulto. Ele disse que é inevitável que algumas coisas dele, de qualquer ator, passem de um papel a outro, mas seria demasiado fácil trazer sua persona para não importa que personagem e o interessante é abordar cada um deles diferentemente. A partir daí, falamos sobre ‘Psicopata Americano’, ‘Os Indomáveis’, ‘Batman’ e aquele ‘Mechanic’, cujo título não lembro em português. McG contou que não gosta do ‘Exterminador 3’ e disse qual é sua ideia para o 5, que pretende fazer, embora o 4 tenha sido arrasado na bilheteria norte-ameriocana por ‘Uma Noite no Museu 2’, no primeiro fim de semana. Ele disse que não liga, pois o sucesso da comédia com Ben Stiller já era esperado – filme para toda família etc – e o dele se beneficia da vida longa por causa da própria franquia. E, depois, seu negócio é fazer como quer os filmes que deseja. Vendê-los é encargo de outro departamento. ‘Terminator 4’ traz de volta Schwarzenegger e, no 5, o diretor pretende fazer de Arnold o cientista que cria os terminators à sua imagem. Interessante… A rodada de entrevistas incluía Bryce Dallas Howard. Contei-lhe que havia estado com seu pai, Ron, em Roma, e boa parte do tempo foi gasta falando dele e da série adaptada de Dan Brawn. Ela adorou ‘Anjos e Demônios’. ‘Much better than Da Vinci Code, but I respect the first entry.’ Seu pai, como ela diz, é muito competente e sério na abordagem de não importa qual assunto. Independentemente de acreditar nisso, meu lado ‘de pai’ se emocionou vendo uma filha falar de maneira tão calorosa sobre seu ‘velho’.