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Luiz Carlos Merten

06 Julho 2007 | 17h06

Vocês se queixam de que eu acrescento posts demais, sem dar tempo de que vocês participem. Mas tem mais um que quero editar agora. Tenho falado mal do Chris Columbus, mesmo ressaltando que sua escolha do Daniel Radcliffe para ser Harry Potter se revela agora no quinto filme, o melhor de todos, muito acertada. Mas os dois filmes iniciais da saga, os que Columbis dirigiu, realmente não me apanharam. O que quero dizer é que CC foi um grande roteirista, já trabalhando neste universo infanto-juvenil, em filmes como Gremlins, Os Goonies e O Segredo da Pirâmide, que ele escreveu para Joe Dante, Richard Donner e Barry Levinson. Adoro Sherlock Holmes, vocês sabem, e essa aventura do jovem Sherlock, a primeira da carreira do mestre da dedução, é uma coisa maravilhosa. O filme saiu em DVD, para quem quiser conferir. Estão ali as origens da amizade de Sherlock com o futuro Dr. Watson e a rivalidade com Moriarty. O filme combina a estética dos efeitos de Spielberg (que foi produtor) com o romantismo do Billy Wilder de A Vida Íntima de Sherlock Holmes (que me parece um filmaço). CC também dirigiu todos aqueles filmes – os dois primeiros da série Esqueceram de Mim, Mamãe não Quer Que Eu Case, Uma Babá Quase Perfeita, Nove Meses, Um Herói de Brinquedo e O Homem Bicentenário. Todos fizeram grande sucesso e eu me divirto principalmente com Macaulay Culkin, o que não significa que admire o CC diretor como gosto do roteirista. Ele sempre me deu a impressão de prolixo. Por que contar uma história em uma hora e meia se a gente pode contar em três? Devagar, quase parando… Poderia ser uma questão de estilo e ele poderia fazer filmes fascinantes e longos, mas em geral acho que é medíocre mesmo. O Homem Bicentenário é um sonífero, por mais bonita que seja a luta do robô Robin Williams para ser reconhecido como humano. Mas tem um filme do Columbus como diretor de que eu gosto e foi justamente o primeiro, Uma Noite de Aventuras, com Elisabeth Shue como babá que embarca numa louca viagem com as crianças sob sua guarda. O filme é a versão teen de Depois de Horas, do Scorsese. CC nunca mais fez nada parecido. Mas seus roteiros e a escolha de Daniel Radcliffe para ser HP, tocando o sublime em A Ordem da Fênix, lhe garantem um lugar no paraíso – no meu panteão, pelo menos.