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Cultura » Chloë Sevigny na Semana da Moda

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Luiz Carlos Merten

13 Junho 2007 | 18h52

Comecei hoje meu dia entrevistando… Chloë (pronuncia-se Cloê) Sevigny. Atriz que virou cult no cinema independente americano, Chloë está na cidade com o namorado roqueiro, Matthew Macauley (ou Macaulay, não consegui confirmar na internet o nome que ela me deu. O cara é de uma banda chamada ARE Weapons, do irmão dela, que também é DJ). Veio para desfilar amanhã na São Paulo Fashion Week, pela marca Ellus. Chloë é tudo, define a repórter Étienne Jacinto, do Telejornal. Embora diva, ela não se considera modelo, mas foi a moda que lhe deu projeção nos EUA, quando começou a posar em fotos sobre moda de rua para a revista Sassy, dirigida a adolescentes. Daí chegou ao cinema, com Kids, de Larry Clark, fazendo depois todos aqueles filmes que você sabe – Meninos não Choram, Dogville, Manderlay, Melinda e Melinda. Chloë está nas telas de São Paulo com Zodíaco, seu primeiro filme para um grande estúdio de Hollywood, mas que ela é a primeira a assinalar – não é um thriller típico do cinemão. Chloë diz coisas muito legais sobre Woody Allen e Lars Von Trier. Diz que Lars é um amor de pessoa e não é antiamericano, apenas crítico da sociedade americana, o que é outra coisa. Não deixa por menos e define David Fincher como gênio. E ela matou minha curiosidade. Perguntei se Fincher, em algum momento da filmagem, falou nos dois filmes de Richard Fleischer sobre serial killers que acho que foram suas fontes de inspiração – O Homem Que Odiava as Mulheres e O Estrangulador de Rillington Place. Ela disse que nunca ouviu falar, mas também que Fincher sabe tudo de técnica e estética de cinema, não sendo improvável que Fleischer possa ter sido, mesmo inconscientemente, uma influência. Para a equipe, com certeza não foi. Após o namoro com Hollywood, Chloë já voltou à produção indie, fazendo, no Canadá, o remake de Irmãs Diabólicas, de Brian De Palma. O que mais gostei é que ela se define como celebridade, não como modelo. Diz que chegou à moda porque sempre teve estilo próprio, usando o que comprava em brechó, sendo abordada na rua por gente que perguntava quem era seu estilista. E Chloë arrematou dizendo algo sensacional – que usa a moda para fazer o que quer no cinema, que é sua prioridade. Achei ótima.