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Luiz Carlos Merten

01 Abril 2008 | 09h23

Fui ao Chile pela primeira vez em 1973, meses antes do golpe militar de Pinochet. Havia uma euforia muito grande das esquerdas (no plural), mas dava para perceber que aquilo não iria longe. Havia uma oposição fortíssima a Allende e um câmbio negro que solapava a economia. O governo exigia que os estrangeiros trocassem um certo número de dólares por dia, não me lembro quanto, mas tenho certeza de que o câmbio oficial era de 70 escudos por dólar. No câmbio negro, um dólar chegava a valer 3 mil escudos, uma coisa absurda. Voltei ao Chile em 2006 e 2007, em vacaciones, e agora a trabalho. Já contei como me impressionou a estátua de Allende em frente ao Palácio de La Moneda, onde ele foi bombardeado. A perna estendida num passo firme, rumo ao socialismo – porque a frase dele, no pedestal, é que por mais oposição que tenha e por mais que demore, o Chile será (quando, neste mundo globalizado?) um país socialista. Aproveitei para ver uns filmes – conto daqui a pouco -, mas achei muito interessante uma coisa. Com 1,2 milhão de carros, Santiago tem um trânsito complicado, mas que nem de longe se assemelha ao de São Paulo. Pois bem, alarmado com o número, o governo de Santiago está seriamente decidido a implantar a tarifação urbana, pedágio nas ruas de maior movimento, para desestimular a circulação de carros. Claro que há um preço político nisso, mas o governo parece decidido a encará-lo, em nome do bem comum. Já aqui… Chega, como um abanico para a classe média, a lei da cidade limpa – mas ela, aliás, continua bem suja, em vários pontos ( estou falando de sujeira mesmo, não de poluição visual). Quanto ao trânsito, peguei hoje a Sumaré, como sempre faço, para vir ao jornal. Saí de casa uns 10 minutos mais tarde. No taxímetro, isso representou mais 3 reais – o preço de uma passagem de ônibus (ou de metrô, com direito a troco). Já pensaram numa tarifação urbana em São Paulo? Acho muita graça quando ouço especialistas, como um entrevistado no outro dia pela CBN, dizendo que São Paulo tem um déficit, sei lá, de 30% de carros. E eu que pensava que eram de vias livres.