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Luiz Carlos Merten

28 Dezembro 2011 | 23h49

Cá estou de volta a São Paulo – desde seguinda-feira à tarde – e não tenho tido tempo de postar. Andei tendo alguns problemas e precisei ir a médicos, mas acompanhei os comentários – sobre o Terence Stamp, principalmente. Havia tentado acrescentar um post no fim da manhã. mas na hora de salvar meu texto desapareceu. Há tempos que não ocorria isso. Era sobre Cheetah, a macaca de Tarzan, que morreu aos 80 anos num santuário de primatas, na Flórida. Quem me informou foi minha colega Eliana, pauteira do ‘Caderno 2’. Procurei na internet, mas minha dúvida continua – assim como Lassie era fêmea na ficção, mas o cão era um macho da raça collie, pergunto-me. Cheetah era mesmo fêmea ou, quem  sabe, outro macho disfarçado? Seu primeiro filme datava de 1932, portanto só pode ter sido ‘Tarzan, the Ape Man’, de W.S. Van Dyke, com  a dupla clássica Johnny Weissmuller/Maureen O’Sullivan. Quem viu sabe que o filme se apropria de elementos de ‘Tarzan, O Filho das Selvas’, de Edgar Rice Burroughs, ao mesmo tempo que dispensa toda a parte que se refere às origens do homem-macaco como Lorde Greystoke – e que se constituem no material do admirável ‘Greystoke, A Lenda de Tarzan, O Rei da Selva’, de Hugh Hudson. De Tarzan,. eu entendo. Já contei que o primeiro livro que comprei foi ‘Tarzan, o Rei da Selva’, na antiga Coleção Terramarear. Somente depois li ‘O Filho das Selvas’ e todos os demais volumes, me deliciando com a imaginação delirante de Edgar Rice Burroughs. Sempre lamentei que Hollywood nunca tenha adaptado o escritor ao pé da letra. Tarzan em Pelucidar, no Centro da Terra; Tarzan encontrando os descendentes de Camelot e do Império Romano. E eu sempre am,ei as mulheres – La, a sacerdotiza de Opar; Nemone, da cidade de ouro; e a mulher-leopardo (sou capaz de reconstituir as frases do escritor, quando as longas, aduncas garras são colocadas na heroína, para que ela mate em honra do deus-leopardo). Quem for atrás de ‘Tarzan, the Ape Man’, verá que o filme, muito mais que uma aventura exótica, na selva, narra uma bela história de amor. Jane aparece antes de Tarzan. Ela acompanha o pai, que busca um cemitério de elefantes. A própria Jane busca… O quê? Excitação, o amor. Tudo isso ela encontra com Johnny Weissmuller. Na hora H, Tarzan e Cheetah salvam Jane, que foi aprisionadas por uma tribo de pígmeus para ser ofertada a um gorila gigantesco. Pouca gente se lembra disso – ninguém? -, mas Van Dyke antecipou/inventou King Kong, que só surgiu no ano seguinte. no clássico de Merian Coopper e Ernest Shoedsack. Em princípio, pode-se pensar que Cheetah participava da série só para acrescentar um tempero insólito, mas a macaca foi mais que isso. Em ‘O Filho de Tarzan’, Boy, Johnny Sheffield, é recolhido por Tarzan e Jane depois de haver sido salvo por macacos amigos de Cheetah ( como o próprio Tarzan no relato original de Rice Burroughs). Que Cheetah tenha vivido tanto – e sobrevivido a Weissmuller e O’Sullivan – é um mistério que não vou tentar esclarecer. Fica só o registro – morreu Cheetah. Não vou dizer que chorei por ela, mas muito lembrei dos livros e filmes da minha infância e juventude.

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