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Charlotte, Mon Amour

Luiz Carlos Merten

29 Setembro 2006 | 13h06

Estou chegando do Hotel Meridien, onde acabo de entrevistar Charlotte Rampling. Foi meu segundo encontro com ela, pois Charlotte já este no Rio para mostrar Sob a Areia, de François Ozon, no festival, há três ou quatro anos. Charlotte agora está no Brasil para a homenagem que o Festival do Rio presta a Luchino Visconti, por meio da retrospectiva que não é completa, mas exibe obras essenciais do grande diretor que é meu ícone pessoal. Na segunda, ela apresenta Os Deuses Malditos numa sessão à tarde, no Cine Odeon BR. Charlotte presidiu o Festival de Berlim, em fevereiro. Diz que a estética tem de ser política e defendeu a escolha de seu júri – o filme bósnio Em Segredo, de Jasmilla Zbenic, que já foi lançado no Brasil e não teve tanta repercussão. “Que pena! É um filme tão importante”, comentou. Charlotte é muito divertida. Lembrou que tinha 23/24 anos e era um clichê ambulante da Swinging London quando Visconti, até hoje não sabe por que, solicitou um encontro, do qual saiu a participação dela em Os Deuses Malditos. Para uma jovem inglesa, mesmo liberada pela Londres dos anos 60, a Itália foi um choque cultural. Visconti foi um choque maior ainda. Charlotte não deve exagerar ao dizer que o grande Luchino transformou a garota alienada. Política, arte, vida. Charlotte nunca mais foi a mesma após aquele encontro decisivo. Alguns anos depois ela interpretou, de novo na Itália, O Porteiro da Noite, de Liliana Cavani, que fez escândalo com aquela ligação da judia com o nazista, no campo de concentração. E, depois, ainda, veio o sexo com o gorila de Max, Mon Amour, de Nagisa Oshima. Charlotte nunca teve medo desses papéis, das reações que ia provocar? “Sempre, mas nesse caso o medo é uma coisa boa.” Charlotte volta ao Rio no ano que vem para fazer o novo filme de Jonathan Nossiter. O documentarista de Mondo Vino, que mora no Brasil, quer a atriz no filme-coral, uma ficção, que pretende filmar no Rio.