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Luiz Carlos Merten

26 Março 2007 | 09h39

Agradeço a precisão das informações do Marcelo e do Valente sobre as produtoras de Aboio e Descaminhos. Percebo que existem sutilezas, mas quando falei nos mineiros é no mesmo sentido que se atribuem aos ‘gaúchos’ ou aos ‘nordestinos’ do cinema brasileiro. A gente fala sempre genericamente, mas existem diferenças, por mais próxima que seja a pegada entre filmes (e autores). Mas agradeço principalmente ao Valente, que acrescentou a informação que o Marcelo, para provar o ponto dele, omitiu – o fato de a Marília Rocha fazer a passagem entre Aboio e Descaminhos quer dizer alguma coisa. De qualquer maneira, e com perdão da Camisa Listrada – vou aguardar o longa deles –, por mais restrições que, às vezes, possa fazer a este tipo de documentário ‘poético’, me interessei mais por Aboio que por Descaminhos, que me irritou. Chega – quero falar daqui a pouco é sobre Santiago. Estou em choque desde ontem à noite, quando assisti ao documentário do João Moreira Salles. Não havia gostado muito de Nelson Freire nem de Entre-atos. Nelson Freire tinha um problema para mim. João acompanhou o pianista com uma equipe pequena, através do mundo. Terminou filmando os recitais sempre da mesma maneira. Confesso que, vendo o filme, eu pedia interiormente que ele mudasse o ângulo, a montagem, mas vinha sempre a mesma coisa. Achei previsível, aquilo criou uma parede que eu não conseguia transpor. Não me emocionava – como o próprio Nelson se emociona ao ouvir a gravação de sua mestra, a cena mais bela e reveladora do filme. Também impliquei com duas cenas. Aquela tiete do Nelson, nervosa com a proximidade do ídolo – o público ri dela, não com ela. A mulher fica ridícula. E o deboche com a equipe estrangeira. Tudo bem que haviam sido desrespeitosos com o pianista, mas achei muito infantil fazer pirracinha com eles. Santiago é outra coisa. Muito mais complexa. Me deixou tão cheio de indagações que ainda estou embananado mentalmente. Mas desta vez João foi na veia. Por meio do mordomo da casa de seu pai, fez seu filme, não vou dizer documentário, mais pessoal, aquele em que mais se arrisca e expõe. Fiquei chapado!

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