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‘Chacun son Cinéma’

Luiz Carlos Merten

28 Dezembro 2008 | 20h34

Bem antes de ‘O Baile’, antes de sair para almoçar, havia dado outra zapeada na TV paga e estacionei em ‘Chacun son Cinéma’. Não tive tempo de assistir a todos os episódios, mas revi alguns com imenso prazer. Achei lindo o episódio de Abbas Kiarostami, ‘Where Is My Romeo?’, que mostra todas aquelas mulheres chorando enquanto assistem, no cinema, a ‘Romeu e Julieta’. A versão é a de Zeffirelli, de 1968, mas não se vê nenhuma das imagens esplêndidas que valeram ao filme seus dois Oscar – melhor fotografia e melhores figurinos. Só o som, com os versos de Shakespeare que deploram a rivalidade entre Capuletos e Montecchios, que levou ao sacrifício do casal de amantes e de outros integrantes das duas famílias. Na verdade, Kiarostami, sem fazer nenhuma referência explícita, está falando de outra(s) rivalidades(s) que envolvem seu país, o Irã, e fazem com que as lágrimas daquelas mulheres vão muito mais além da emoção que lhes produz o filme. Como ainda não vi ‘Shirin’, talvez esteja chutando, mas amigas que viram o filme em Veneza me falaram muito dos primeiros planos de mulheres no novo Kiarostami e eu tive a sensação de que ‘Where Is My Romeo?’,. todo construído naqueles rostos, já foi uma espédcie de balão de ensaio. Acho bonitinha em ‘Chachun son Cinéma’ – chama-se ‘Cinéma de Boulevard’ – a homenagem que Claude Lelouch faz a seus pais, que se conheceram no cinema, quando seu pai seguiu sua mãe e na tela Fred Astaire cantava ‘Cheek to Cheek’ – ‘I’m in heaven…’ Me encanta aquele episódio chinês do Zhang Yimou, a excitação do garotinho que acompanha a montagem do cinema itinerante e, depois, vencido pelo cansaço, adormece justamente quando começa o filme. Mas não tem jeito. Não curto ‘O Primeiro Beijo’, o episódio de Gus Van Sant. Aliás, não curto a fase recente de Gus Van Sant, embora ‘Paranoid Park’ tenha me parecido mais interessante do que ‘The Last Days’, por exemplo. Gostava de Gus Van Sant na época de ‘Drugstore Cowboy’ e ‘Garotos de Programa’ (My Own Private Idaho), mas sua maneira recente de (des)construir as narrativas me produz mais enfado do que fascínio. Vamos ver este novo filme, com Sean Penn, que vocês dizem que vai para o Oscar. Quem sabe…?