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Luiz Carlos Merten

31 Outubro 2007 | 20h04

Dei uma olhada nos comentários e pincei dois. O filme do Monicelli que a Sylvia cita, com Mastroianni, Renato Salvatori e a grande Annie Girardot, chamava-se ‘I Compagni’ no original e no Brasil ficou sendo ‘Os Companheiros’. Produção de 1964, trata desse professor socialista que percorre a Itália organizando o movimento operário e promovendo greves. Aqui, o filme estreou após o golpe militar e virou um daqueles filmes-manifesto, que lotavam os cinemas de estudantes. Bons tempos aqueles – da comédia italiana e do engajamento estudantil. Xô, Merten, nada de nostalgia. Artur pergunta de onde eu tirei a informação de que a mídia norte-americana segue atrelada a George W. Bush? Hummm… De alguma cartola de mágico não foi, mas essa indignação pela imprensa que deixou de ser o quarto poder nos EUA foi o que me passou o Mark Ruffalo – um ator, é verdade, não um cientista político – quando o entrevistei no set de ‘Blindness’, que Fernando Meirelles filmava em São Paulo, no Minhocão. Ruffalo será um desses comunistinhas infiltrados no meio artístico, como outros infiltrados na mídia, a que se refere o Artur? Não creio, mas tem também o trio barra pesada Tom Cruise/Robert Redford/Meryl Streep que defende exatamente a mesma tese em ‘Leões e Cordeiros’, que estréia na sexta-feira da próxima semana, dia 9. O diálogo da Meryl, que faz uma jornalista, com seu editor, é uma obra-prima do tipo de intimidação sutil que o poder, em todas as suas instâncias, exerce hoje em dia. E é claro que a mídia, mesmo nos EUA, está tendo de tomar partido. Adoro ver TV quando estou nos EUA, geralmente em Los Angeles ou Nova york, participando de junkets. Além dos programas de juízes, que acho divertidos, só tem informações sobre mortos no Iraque. Cabe lembrar que a Guerra do Vietnã só foi oficialmente perdida quando o desfile de cadáveres no noticiário se tornou insuportável para a opinião pública norte-americana. Mesmo assim, surgiram Rambo e Braddock para vencer a guerra e aplicar, na ficção hollywoodiana, o corretivo que os ‘sujos’ vietnamitas mereciam. É ironia, hein? OK, estamos todos errados e só o Artur sabe das coisas.